Banda Os Gilsons lança álbum que reflete a perda de Preta Gil: 'O disco foi quase um remédio', diz filho da cantora
Marcado para chegar ao streaming na terça-feira, “Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão” tem, nas entrelinhas de suas delicadas canções, uma presença que não consegue ser disfarçada: a de Preta Gil.
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A cantora, filha de Gilberto Gil, mãe de Francisco, irmã de José e tia de João sucumbiu no ano passado a um câncer, depois de ser uma das maiores incentivadoras desses três últimos que, sob o nome de Gilsons, viram o sucesso chegar e, agora, com a saída de seu segundo álbum, embarcam numa extensa turnê. Com mais de 30 shows confirmados no Brasil e no exterior, a turnê estreia 25 de abril em Salvador, na Concha Acústica. No Rio, o show é dia 1º de maio, no Vivo Rio; em São Paulo, 9 de maio, no Espaço Unimed.
— A gente já teve uma educação musical imensa, que veio não só da minha mãe, mas de todo mundo que já vinha fazendo música antes da gente, na nossa família, como o Ben (irmão de José, filho de Gil) e a Nara (filha de Gil, mãe de João). E ela sempre abraçou muito a gente, foi ela quem nos batizou — conta um emocionado Fran. — O ano passado foi muito difícil, e as músicas do disco permearam o que a gente viveu, são canções nascidas no meio dessa história toda. A arte tem essa capacidade: por mais que não se tenha a intenção, depois se percebe o que ela tem a dizer para nós mesmos. Esse disco foi quase que um remédio.
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‘É algo muito complexo’
Para Fran, a música de “Eu vejo luz...” que mais remete à mãe foi feita por João e Arnaldo Antunes (com quem Preta chegou a trabalhar na televisão): “Minha flor”, gravada com participação de parte do clã Veloso (Caetano, Moreno e Tom).
— Eu ficava quietinho no estúdio, escutando, às vezes chorava ali, essa música me impactava. E muitas pessoas a receberam dessa forma, para algumas isso era até meio óbvio — diz o filho de Preta. — “Visão”, a música que abre o disco, eu comecei a escrever saindo do quarto de hospital da minha mãe. Então, há uma presença dela muito forte no disco, mas nada que tenha sido intencional. Eu, por exemplo, nem ousei fazer isso... Para mim, é algo muito complexo.
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“Eu vejo luz...” tem composições de cada um dos três Gilsons (“Desejo” foi a única feita pelo trio, especificamente), algumas parcerias (Arnaldo Antunes entrou em “Minha flor” e “Vai chover”, esta na qual também cantou) e uma novidade: uma canção de Gus Levy, colaborador da banda, feita para o casal José Gil e Mariá Pinkusfeld, “Semeia”. É a continuação de um trabalho que o trio começou em 2019, com um EP, que gerou hits como “Várias queixas” (releitura de música do Olodum) e “Love love”. Hoje, os Gilsons são uma atração que circulou por vários festivais (Rock in Rio, Lollapalooza, Coala) e têm mais de três milhões de ouvintes mensais somente no Spotify.
Na visão de João Gil, o mainstream, onde os Gilsons estariam hoje, “é um lugar subjetivo”.
— Afinal, existem nele artistas como o Bad Bunny, que têm um apelo pop muito grande, mas que, ao mesmo tempo, conseguem transmitir uma verdade.
Fran vê um papel específico em que a banda se insere:
— Nossas músicas vão aos poucos invadindo os espaços, ganhando vidas mais longas. Isso permite que a gente possa viver mais na estrada do que no estúdio. Esse disco carrega muito disso, porque ele tem paciência. Ele tem o privilégio do tempo.
O grupo Os Gilsons
Marina Zabenzi/Divulgação
Mais ou menos. A verdade é que eles terminaram “Eu vejo luz...” apenas duas semanas atrás. A certa altura, foi necessário o estabelecimento de um prazo para a entrega do segundo álbum. Foi “aquela marca para a gente sofrer um pouquinho, entregar e não se apegar tanto”, diz Fran. Por sorte, eles já tinham algumas músicas guardadas para esse disco. “Algumas com dois, três anos, mas que estavam ali aguardando para serem colocadas nesse próximo projeto grande”, informa João.
— A gente teve oportunidade de rodar três, quase quatro anos com “Pra gente acordar” (seu álbum de estreia, de 2022), o que hoje eu acho que é uma raridade mesmo, você conseguir trabalhar um disco nacional e internacionalmente durante todo esse tempo. O que fez a gente atrasar o lançamento desse disco foi justamente o sucesso da turnê —diz José Gil (“o maior trabalhador do Brasil”, segundo Fran), que produziu várias faixas, fez a edição final do disco e agora ainda está cuidando da edição do álbum ao vivo da turnê do pai, “Tempo Rei”.
Gil, aos 83, não quer parar
Segundo José, Gilberto Gil, aos 83 anos, simplesmente “não quer parar”.
— Ele queria fazer uma turnê este ano já na Europa de novo, um mês de turnê. Só que a Maria, a minha irmã, que é a booker dele, disse: “Eu tô fora, para mim chega!” — diverte-se ele, que, logo após o lançamento do disco dos Gilsons, parte junto com João em uma turnê do pai pela América Latina. — Gil gosta muito dessas viagens e tal. E as últimas, por terem sido com família, acho que se tornaram ainda mais especiais. Não temos muita resposta para dar nesse sentido, mas uma coisa eu garanto: ele ainda vai aprontar!
