Bancos centrais podem ser obrigados a rever a posição de cortar juros diante dos efeitos da guerra, avalia Durigan
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira que o cenário internacional marcado por conflitos pode levar bancos centrais ao redor do mundo a reverem a estratégia de corte de juros.
Segundo ele, a avaliação predominante nas reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, em Washington, é de aumento da incerteza econômica global.
— A única certeza que se tem é a incerteza dos rumos da guerra hoje — disse o ministro.
De acordo com Durigan, há uma percepção de que o crescimento global deve desacelerar, ao mesmo tempo em que pressões inflacionárias tendem a aumentar.
— A tendência é de queda do crescimento do mundo e uma pressão inflacionária maior, o que bota os bancos centrais mundo afora numa situação de rever um posicionamento que estava no sentido de diminuir a taxa de juros — afirmou.
Apesar desse cenário mais desafiador no exterior, o ministro destacou que o Brasil teve revisão positiva de crescimento pelo FMI, na contramão da tendência global.
Governo avalia medidas diante da guerra
Durigan também afirmou que o governo brasileiro pode adotar novas medidas caso os efeitos dos conflitos internacionais se intensifiquem, inclusive no contexto de tensões envolvendo o Irã.
Segundo ele, eventuais ações já estão previstas dentro do arcabouço econômico e respeitarão o compromisso com o equilíbrio fiscal.
— Se for preciso avançar em algumas frentes, eu não vou ter problema em avançar, dado o meu arcabouço — disse.
O ministro ressaltou que as medidas devem preservar a neutralidade fiscal e, quando necessário, passar pela aprovação do Congresso Nacional.
— As medidas que a gente pode adotar garantem neutralidade fiscal, aprovando as regras no Congresso — afirmou.
As declarações foram dadas após uma semana de reuniões com autoridades econômicas internacionais, em meio ao aumento das tensões geopolíticas e seus impactos sobre a economia global.
