O Banco Mundial manteve em 2,2% a projeção de crescimento da América Latina e do Caribe em 2026, mesma estimativa divulgada em junho. A previsão fica abaixo da expansão de 2,4% registrada em 2025, o que, segundo o órgão, sinaliza resiliência da região na absorção de choques externos. É o que mostra a nova edição do relatório Panorama Econômico da América Latina e Caribe, divulgado nesta terça-feira (6).
O crescimento modesto reflete o atual equilíbrio de políticas, e não o potencial da região, afirmou o Banco Mundial. “Os países de melhor desempenho na região, sejam eles de longa data ou reformistas recentes, mostram que um crescimento mais elevado é possível mesmo sem um boom de commodities”, diz o relatório.
O Banco Mundial ressalta que o processo de desinflação na América Latina e no Caribe desacelerou “expressivamente”. “A inflação geral recua de forma lenta, enquanto a inflação de serviços permanece resistente.”
Segundo a instituição, pressões intermitentes nos mercados globais de energia e alimentos, agravadas pelo conflito no Oriente Médio, levaram os bancos centrais a desacelerar o ritmo de flexibilização monetária, pausar os ciclos de cortes ou endurecer a política monetária. Com isso, altas taxas de juros reais (descontadas da inflação) seguem restringindo o crédito e os investimentos privados.
A elevada incerteza global, o espaço fiscal restrito e os altos custos reais de financiamento também pesam sobre a demanda privada em toda a região. Os riscos, segundo o Banco Mundial, permanecem inclinados para baixo.
“A volatilidade dos preços de energia pode paralisar a desinflação e manter os bancos centrais cautelosos, ao passo que o El Niño pode interromper a produção e elevar os preços de alimentos e energia”, alerta.
Apesar desse cenário, o relatório afirma que os exportadores de commodities têm se beneficiado de preços elevados, enquanto as exportações de manufaturados têm resistido à volatilidade da política comercial.
O Banco Mundial destaca ainda que os países que “fazem escolhas de política sólidas e duradouras” vêm apresentando resultados melhores, como crescimento mais rápido, maior investimento e aumento da confiança do mercado.
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