Banco com 5,8 milhões de clientes perde R$ 615 milhões em ciberataque com ‘transações fraudulentas’ e emite alerta na França

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Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

Crime sem precedentes na Europa envolveu invasão via plataforma de prestador de serviços e levou ao bloqueio temporário de transações financeiras; polícia cibernética investiga o caso Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.

O banco Credit Mutuel Arkea confirmou nesta quinta-feira (5) que foi vítima de um ciberataque que resultou no roubo de cerca de 100 milhões de euros (aproximadamente R$ 615 milhões ou US$ 112,61 milhões) na França. A instituição financeira informou que está trabalhando para recuperar os fundos em um caso considerado raro de invasão cibernética bem-sucedida contra um banco tradicional.

De acordo com o comunicado divulgado pelo grupo financeiro, os atacantes utilizaram uma conta pertencente ao próprio Credit Mutuel Arkea para realizar “transações fraudulentas”. O dinheiro roubado não estava originalmente em criptomoedas, mas o banco avalia que os fundos podem ter sido convertidos para moedas digitais após a execução do roubo.

O Crédit Mutuel Arkéa possui mais de 5,8 milhões de clientes (incluindo cerca de 1,5 milhão a 5,5 milhões de sócios, clientes cooperativados, segundo dados recentes do próprio grupo. Apesar do alto valor desviado, o Credit Mutuel Arkea garantiu que os ativos dos clientes não foram afetados pelo ataque cibernético.

Por medida de precaução, a instituição suspendeu temporariamente algumas transações financeiras, o que gerou atrasos em transferências bancárias. Um porta-voz da instituição descartou qualquer envolvimento da Fortuneo, subsidiária de serviços bancários online do grupo.

A empresa afirmou que nem a divisão nem as contas de seus clientes serviram como ponto de entrada para os cibercriminosos. As investigações preliminares indicam que os hackers utilizaram a plataforma de um prestador de serviços terceirizado para acessar os sistemas e realizar as movimentações ilícitas.

O porta-voz do banco recusou-se a revelar a identidade da empresa parceira envolvida. Especialistas em cibersegurança ouvidos pela agência Reuters destacaram que, embora ataques digitais sejam frequentes, o roubo direto de dinheiro de instituições bancárias tradicionais é algo incomum.

Rafay Baloch, CEO da empresa de cibersegurança RedSecLabs, classificou a invasão ao Credit Mutuel Arkea como um evento sem precedentes no continente europeu. “Estamos vendo muitos desses ataques sofisticados direcionados à camada de aplicação e ataques sofisticados de engenharia social direcionados a instituições bancárias”, explicou Baloch.

A Procuradoria de Paris abriu uma investigação oficial liderada pela polícia cibernética francesa após receber a denúncia enviada pelo banco na quarta-feira. O Credit Mutuel Arkea notificou oficialmente os principais órgãos de fiscalização e regulação do setor financeiro, incluindo:

A ACPR recusou-se a comentar sobre o andamento das apurações. O ataque ocorre em um momento de alerta global de reguladores financeiros sobre riscos cibernéticos impulsionados pelo uso de inteligência artificial.

Na semana anterior ao caso francês, a corretora de criptomoedas Binance registrou o roubo de US$ 6,3 bilhões. O Credit Mutuel Arkea é um grupo bancário cooperativo com sede na Bretanha, na França.

A instituição possui números expressivos no mercado financeiro europeu: Segundo Puneet Kakkar, diretor-gerente da Nardello & Co em Paris, os bancos franceses possuem exigências rigorosas de segurança cibernética, mas alertou que os criminosos estão cada vez mais oportunos e criativos.

Renato Becker é repórter e editor no Núcleo Nacional do ND Mais, onde escreve matérias de serviço e explicativas sobre benefícios, direitos, mercado e assuntos que afetam a vida dos brasileiros. Seu trabalho se concentra na produção de notícias do Brasil e do mundo, com atenção especial à política, à economia e aos negócios, além de temas de interesse público, trazendo informações claras, úteis e contextualizadas.

Também participou da cobertura de casos de grande repercussão, tanto de segurança pública quanto de política. Atuando no jornalismo desde 2018, já trabalhou na assessoria de comunicação do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) e assinou a série “Meu Voto, Nosso Futuro”, dedicada a acompanhar as eleições no país.

Trabalhou como repórter na cobertura das Eleições 2022 e como editor de Distribuição nas Eleições 2024. Leia mais ▾

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