Banco Central freia queda dos juros e mantém Selic em 13,75% ao ano

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A combinação de inflação acima da meta, alta do dólar e incertezas sobre as contas públicas levou o Banco Central a frear a redução dos juros no Brasil. Nesta quarta-feira, 4, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, interrompendo o ciclo de cortes adotado nas reuniões anteriores.

Segundo informações do Valor Investe, do Grupo Globo, a decisão ocorre após uma mudança nas expectativas do mercado financeiro, que passou a apostar na manutenção dos juros diante da instabilidade econômica registrada após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na reunião anterior, o Copom havia reduzido a taxa em 0,25 ponto percentual, mas a aceleração dos preços e as oscilações do câmbio limitaram o espaço para novas reduções. O avanço da inflação foi um dos principais fatores considerados pelo comitê.

Em setembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,82%, superando a projeção de 0,73%. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses atingiu 4,58%, ultrapassando o teto da meta.

O IPCA-15 de outubro também apontou pressão sobre os preços, chegando a 4,62% no acumulado anual. No comunicado divulgado após a reunião, o Banco Central apontou uma deterioração do ambiente internacional, marcada pela continuidade dos conflitos no Oriente Médio, pela elevação dos preços do petróleo e pela manutenção de juros elevados nas principais economias mundiais.

No cenário doméstico, a autoridade monetária identificou uma desaceleração mais intensa da atividade econômica, especialmente em setores sensíveis ao crédito. Apesar disso, a inflação segue pressionada e o mercado de trabalho apresenta resistência, fatores que dificultam uma redução mais rápida dos juros.

Expectativas de inflação preocupam As projeções do mercado financeiro também contribuíram para a decisão.

Segundo o Boletim Focus, a expectativa de inflação chegou a 5,2% para 2026 e 4,8% para 2027, ambas acima da meta de 3% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. O Banco Central também revisou sua estimativa para o segundo trimestre de 2028, elevando a projeção de inflação para 3,5%.

O período é atualmente utilizado como referência para a condução da política monetária. Entre os fatores que podem pressionar os preços nos próximos meses, o Copom destacou a possibilidade de manutenção do dólar em patamares elevados, os impactos dos conflitos internacionais sobre o petróleo e os efeitos das condições climáticas sobre a produção agrícola e os custos de energia.

Por outro lado, uma desaceleração mais intensa da economia brasileira e mundial, além de uma eventual queda nos preços das commodities, pode contribuir para reduzir a inflação. Apesar dos sinais de perda de ritmo da atividade econômica, o Banco Central considera que o cenário ainda exige cautela.

A autoridade monetária indicou que os juros deverão permanecer em patamar restritivo pelo tempo necessário para assegurar a convergência da inflação à meta, sem antecipar quando poderá retomar os cortes. Leia também: Economista propõe corte da Selic para 7,5% e questiona eficácia dos juros altos contra a inflação

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