Banco Central atuará com cautela diante de incertezas externas, diz Galípolo

 

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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nessa segunda-feira (6) que a instituição vai agir com "cautela e serenidade" diante das incertezas provocadas pela guerra no Irã.

Galípolo esteve no Rio para participar de um seminário sobre política monetária na Fundação Getúlio Vargas, e fez a fala de abertura do evento. Discursando de improviso, ele citou o cineasta Woody Allen e afirmou que é muito difícil projetar cenários futuros agora.

“Tem um pensador, que acho um grande conselheiro para banqueiros centrais de países emergentes, o Woody Allen, que diz: confiança é aquilo que a gente tem antes de conhecer o problema. Por isso, no Banco Central, a palavra ‘cautela’ virou rotina — uso mais desde que entrei na instituição do que em toda a minha vida antes. Mas ela vem sempre acompanhada de ‘serenidade’. A ideia é ter tempo para entender melhor o problema e tomar decisões mais seguras", afirmou.

O Comitê de Política Monetária do Banco Central começou, em março, a baixar a taxa básica de juros do país, diante de um cenário de convergência da inflação para a meta, de 3%. O corte foi de 0,25 ponto percentual, com a taxa indo de 15% para 14,75%.

No entanto, o próprio comitê demonstrou preocupação com o contexto internacional, com choque de oferta de petróleo e pressão generalizada sobre os preços. Após o início do conflito no Oriente Médio, o mercado passou a projetar inflação se aproximando dos 4,5%, o teto de tolerância.

Galípolo sinalizou que o BC deve manter uma política monetária apertada. Ele disse que o Brasil não tolera mais a inflação, e que os bancos centrais no mundo têm sido criticados até por cortar demais os juros.

“Hoje, os banqueiros centrais não são mais criticados apenas por subir demais os juros, mas também por cortar demais e gerar impacto na inflação. As pesquisas mostram que a sociedade brasileira não tolera mais a inflação. E não há nada melhor para um banco central do que essa vigilância da própria sociedade — essa é a verdadeira disciplina", defendeu.

Atualmente, o Brasil tem a segunda maior taxa de juro real do mundo, na faixa dos 9%, ficando atrás apenas da Turquia.