Baleia ‘Timmy’, resgatada após encalhe na Alemanha, pode estar morta, diz museu oceanográfico alemão

 

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A baleia jubarte conhecida como Timmy, pode já estar morta mesmo após a operação privada de resgate que ocorreu no final do mês de abril. Em comunicado divulgado nesta terça-feira (5), o Museu Oceanográfico Alemão, em Stralsund, afirmou que não há informações verificáveis sobre o paradeiro do animal desde 2 de maio e que, diante de seu estado debilitado, é “muito provável” que ela não tenha sobrevivido.

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Segundo os especialistas, o último avistamento confirmado ocorreu às 9h24 daquele dia, por meio de um drone, já em mar aberto no Mar do Norte. Desde então, nenhuma instituição independente conseguiu confirmar a localização ou o estado de saúde da baleia. O museu defende que, para comprovar o sucesso da missão, os responsáveis pela operação devem divulgar o modelo exato do rastreador instalado no animal, registros fotográficos da fixação do dispositivo e os dados brutos completos transmitidos.

Timmy havia encalhado diversas vezes na Baía de Wismar, no Mar Báltico, desde o mês de março, mas foi retirada por uma iniciativa privada financiada pela empresária do setor equestre Karin Walter-Mommert e pelo cofundador da MediaMarkt, Walter Gunz. A operação teria custado ao menos 1,5 milhão de euros, sem incluir despesas com navios e tripulação.

Inicialmente celebrada como uma ação de salvamento, a remoção da baleia passou a ser alvo de críticas de cientistas e ambientalistas. A veterinária Kirsten Tönnies, ligada à iniciativa privada, afirmou que o mamífero foi liberado “cedo demais” e sem o acompanhamento previsto. O plano original era soltá-lo mais distante da costa, em águas mais profundas, mas a liberação ocorreu a cerca de 70 quilômetros ao norte de Skagen, na Dinamarca, em uma rota marítima movimentada .

Leia o comunicado na íntegra:

Declaração do Museu Oceanográfico Alemão: Transmissão de dados da baleia jubarte:

Informações científicas verificáveis ​​de forma independente sobre o paradeiro da baleia no Mar do Norte são de enorme importância para a investigação do caso da baleia jubarte que encalhou diversas vezes no Mar Báltico e para lidar com futuros encalhes de grandes baleias vivas.

O último avistamento confirmado da baleia jubarte em mar aberto foi em 2 de maio, às 9h24, por meio de um drone. Desde então, não houve mais informações verificáveis ​​de forma independente sobre o paradeiro ou o estado de saúde do animal. Dado que a baleia estava extremamente debilitada e encalhou repetidamente em um curto período após tentativas anteriores de resgate, é muito provável que ela não tivesse forças para nadar em águas profundas por um período prolongado e que não esteja mais viva. Para comprovar o sucesso da missão de resgate, é essencial que as seguintes informações sejam divulgadas de forma transparente: o modelo exato do rastreador, a localização e o tipo de fixação na baleia com evidências fotográficas, os dados brutos completos transmitidos e o acesso à transmissão ao vivo dos dados para uma organização independente. Informações verificáveis ​​sobre a situação do País de Gales não são apenas de grande interesse científico e público, mas também devem ser do interesse próprio de iniciativas privadas.

Rastreamento contestado e dúvidas sobre o resgate

A promessa de monitoramento por GPS também virou alvo de desconfiança. A equipe responsável afirmou ter instalado um dispositivo capaz de acompanhar o animal e transmitir seus sinais vitais, mas especialistas contestam essa possibilidade. Ao jornal Bild, o biólogo marinho Peter Madsen, da Universidade de Aarhus, afirmou que não há transmissor GPS comercial capaz de fornecer esse tipo de dado fisiológico em baleias.

Além disso, permanece incerto como a soltura ocorreu de fato. Segundo reportagem da Euro News, relatos apontam que Timmy teria se chocado diversas vezes contra as laterais da embarcação durante o transporte e não há clareza se ela foi solta com segurança ou simplesmente retirada do navio sem condições reais de sobrevivência.

Quando encalhou, em março, a baleia apresentava fragmentos de redes de pesca na boca. Biólogos marinhos também questionam a versão da equipe de resgate de que o animal teria expelido sozinho o plástico ingerido. Organizações como o Greenpeace e cientistas do próprio museu haviam se manifestado contra o transporte, defendendo outra abordagem para um animal já considerado gravemente fragilizado .

O caso reacendeu o debate sobre a conservação dos mares do Norte e Báltico. Entidades como o WWF Alemanha alertam que, embora 45% dessas áreas sejam oficialmente protegidas, os ecossistemas seguem em estado crítico devido à pesca intensiva, ao aquecimento das águas e à exploração de combustíveis fósseis. Para especialistas, o destino de Timmy expõe não apenas um resgate controverso, mas também a fragilidade crescente da vida marinha na região.