Baleia encalhada na Alemanha: há 18 dias em agonia, por que não foi possível salvá-la? Entenda o que acontece agora

 

Fonte:


A baleia jubarte encalhada no Mar Báltico, no norte da Alemanha, desde o dia 23 de março, entrou em fase terminal e já não pode mais ser salva, segundo avaliação de especialistas ouvidos pela emissora alemã NDR. O animal permanece preso em águas rasas no lago Kirchsee, próximo à ilha de Poel, sem responder a estímulos e com quadro considerado irreversível, nesta quinta-feira (9).

Veja vídeo: Autoridades mobilizam força-tarefa de escavadeiras para resgatar baleia-jubarte encalhada na Alemanha

Veja o que se sabe até agora: Após quase duas semanas, baleia jubarte segue encalhada e debilitada na Alemanha

De acordo com a especialista em bem-estar animal Bianca König, da organização Whale and Dolphin Conservation (WDC), a ausência de reação a embarcações é um dos sinais de que a baleia está morrendo. O processo pode levar horas ou até alguns dias, dependendo das condições do animal.

Assista:

ONG diz que esperanças para baleia jubarte encalhada na costa alemã estão diminuindo

Por que a baleia não pode mais ser salva

Especialistas apontam que o próprio peso do animal, estimado em cerca de 12 toneladas, passou a atuar contra sua sobrevivência. Presa em um banco de lama em águas muito rasas, a baleia sofre compressão dos órgãos internos, o que pode levar a colapso circulatório.

Além disso, as condições do local tornam qualquer tentativa de resgate inviável. Para voltar a nadar, seria necessário um aumento de cerca de 60 centímetros no nível da água, algo que não deve ocorrer nos próximos dias. Atualmente, a baleia está em uma cavidade com apenas 30 centímetros de profundidade, com grande parte do corpo exposta.

O estado físico também impede qualquer transporte. Segundo especialistas do Instituto de Pesquisa da Vida Selvagem Terrestre e Aquática (ITAW), a pele está gravemente danificada, com bolhas e lesões, e há suspeita de danos internos. Uma tentativa de içamento poderia causar sofrimento extremo e, ainda assim, não garantiria a sobrevivência do animal.

Por que a eutanásia foi descartada

Autoridades alemãs também descartaram a possibilidade de abreviar o sofrimento do animal. Segundo o ministro do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Till Backhaus, métodos como arpoamento, envenenamento ou uso de explosivos são considerados inaceitáveis e, em alguns casos, condenados internacionalmente.

Especialistas reforçam que, embora existam técnicas que podem levar a uma morte mais rápida, há risco elevado de dor intensa e falhas no procedimento. Por isso, a decisão foi deixar o animal seguir seu curso natural, sob monitoramento.

O que será feito após a morte

Com o prognóstico considerado desfavorável, autoridades já se preparam para a remoção da carcaça. Segundo a NDR, o corpo deverá ser levado para Stralsund, onde será submetido a autópsia por cientistas do Museu Oceanográfico Alemão.

O objetivo é identificar possíveis doenças, avaliar os danos sofridos e entender as causas do encalhe. Amostras serão coletadas, e o corpo passará por medições detalhadas. O esqueleto poderá ser preservado pela Universidade de Rostock para fins científicos e educativos.

O que se sabe até agora

A baleia jubarte foi vista pela primeira vez na região no início de março e, desde então, passou por uma sequência de deslocamentos e encalhes no Mar Báltico. Após conseguir nadar livremente em alguns momentos, acabou presa definitivamente em uma área rasa próxima à ilha de Poel.

Especialistas indicam que o animal não pertence a esse ambiente. A baixa salinidade, a menor disponibilidade de alimento e a ausência de outros indivíduos da espécie tornam o Mar Báltico um local hostil para baleias jubarte.

Há indícios de que o animal tenha sofrido ferimentos por hélice de embarcação e também tenha se envolvido com redes de pesca, o que pode ter agravado seu estado. Além disso, o longo período em águas rasas contribuiu para o desgaste físico extremo.

Mesmo com tentativas iniciais de resgate, incluindo escavação de canais e estímulos com embarcações —, especialistas concluíram que as chances de sucesso eram mínimas. A decisão final foi suspender as operações para evitar sofrimento adicional.

Neste momento, segundo a cobertura da NDR, resta apenas acompanhar a evolução do quadro. A expectativa é de um desfecho iminente, enquanto o caso segue mobilizando autoridades, cientistas e a população local.