Bahia recebe 100 ampolas de antídoto após confirmação de sete casos de intoxicação por metanol
O Ministério da Saúde enviou à Bahia uma remessa de 100 ampolas de etanol farmacêutico, utilizado como antídoto no tratamento de intoxicações por metanol. O envio, feito no último dia do ano, ocorre após a confirmação de sete casos no estado, todos relacionados à ingestão de bebida contaminada no município de Ribeira do Pombal, no nordeste baiano.
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De acordo com a Secretaria de Saúde da Bahia, o etanol farmacêutico é considerado vital nesses casos porque impede que o metanol seja metabolizado em substâncias ainda mais tóxicas no organismo, reduzindo o risco de morte e de sequelas graves, como cegueira e insuficiência renal. A pasta destaca que a rapidez na administração do antídoto é determinante para o desfecho clínico dos pacientes.
As sete pessoas intoxicadas permanecem internadas. Cinco delas estão no Hospital Geral Santa Tereza, em Ribeira do Pombal, e outras duas foram transferidas para o Instituto Couto Maia, em Salvador, referência em doenças infecciosas e intoxicações. Uma das vítimas está intubada, em estado grave, e precisou passar por hemodiálise.
Laudos do Departamento de Polícia Técnica (DPT) confirmaram a presença de metanol tanto nas amostras de sangue coletadas dos pacientes quanto nas bebidas destiladas consumidas. Segundo a Secretaria de Saúde, todos receberam atendimento médico e, nos casos indicados, o antídoto já vinha sendo administrado antes mesmo da chegada da nova remessa federal.
A investigação aponta que a maioria das vítimas participou de uma festa de noivado no último domingo, quando foi servido um coquetel preparado com vodca adquirida em um depósito de bebidas da cidade. Um outro homem também se intoxicou após consumir bebida comprada no mesmo estabelecimento um dia antes do evento. O local foi identificado e interditado pela Vigilância Sanitária Municipal, com apoio da Polícia Civil.
O caso na Bahia ocorre em meio a um histórico recente de surtos de intoxicação por metanol no país. No início de dezembro, o Ministério da Saúde encerrou a Sala de Situação criada em outubro para monitorar a ocorrência desses episódios. Entre setembro e dezembro, 73 casos foram confirmados no Brasil, com 22 mortes registradas; mais de 500 suspeitas acabaram descartadas após investigação.
Entenda o caso
Entre as vítimas, cinco mulheres e um homem teriam se intoxicado durante uma comemoração de noivado em Ribeira do Pombal, no último domingo. No evento, eles consumiram um coquetel preparado com vodca, que havia sido comprada em um depósito de bebidas da cidade, conforme informações da TV Bahia, afiliada da Rede Globo.
A outra vítima, também um homem, comprou bebida no mesmo estabelecimento no dia anterior ao noivado. Uma das pessoas internadas foi identificada como Edicleia Andrade de Matos, de 45 anos, esposa do pai da noiva, que está em estado grave, intubada e precisou de hemodiálise. Não há informações sobre o estado de saúde dos outros internados.
"A Secretaria de Saúde da Bahia orienta que toda a população baiana reforce, especialmente neste período de festividades, as medidas recomendadas quando da compra e consumo de bebidas destiladas, certificando-se da procedência, da não violação das embalagens e selos de segurança e da idoneidade dos estabelecimentos comercializadores destas bebidas", destacou o órgão.
No início deste mês, o Ministério da Saúde decidiu encerrar a Sala de Situação criada em outubro para monitorar o surto de intoxicação por metanol. A escalada de casos começou no estado de São Paulo e logo se espalhou para outros locais do país. Até o encerramento, ao todo, 73 pessoas foram diagnosticadas com intoxicação por metanol e 22 morreram entre setembro e dezembro. Mais de 500 suspeitas foram descartadas.
Infográfico mostra os efeitos do metanol no corpo
Editoria de Arte
O que é metanol?
O metanol é um produto químico usado em produtos industriais e domésticos, como diluentes, anticongelantes, vernizes e até fluidos de fotocopiadora. Assim como o álcool que consumimos na cerveja, no vinho e nos destilados, o metanol é um líquido incolor com cheiro semelhante ao do álcool encontrado normalmente nessas bebidas, mas muito mais barato de produzir. Isso faz com que ele seja utilizado em bebidas adulteradas.
Segundo especialistas, não é possível que o consumidor perceba a adulteração na hora do consumo, dado que seu gosto e efeito é semelhante ao da bebida não adulterada. No entanto, os efeitos prejudiciais de uma bebida contaminada com metanol aparecem apenas horas depois. Alguns dos sintomas mais comuns são confusão mental, visão turva ou perda de visão, forte dor abdominal, náuseas e falta de ar.
Mesmo a ingestão de pequenas quantidades pode ser extremamente prejudicial à saúde e alguns "shots" do composto podem ser fatais. O álcool é metabolizado no fígado. No caso no metanol, este metabolismo cria subprodutos tóxicos chamados formaldeído, formato e ácido fórmico. Eles atacam nervos e órgãos, sendo o cérebro e os olhos os mais vulneráveis, o que pode levar à cegueira, coma e morte.
A toxicidade do metanol está relacionada à dose ingerida e ao organismo. Tal como acontece com o álcool tradicional, quanto menos você pesa, mais você pode ser afetado por uma determinada quantidade.
Normalmente, os efeitos demoram entre 40 minutos e 72 horas para aparecer. Os primeiros sinais são semelhantes ao da intoxicação por álcool e incluem problemas de coordenação, equilíbrio e fala, bem como confusão e vômitos. Ao mesmo tempo, a pressão arterial cai, resultando em uma sensação de tontura e desmaio.
Em fases posteriores – cerca de 18 a 48 horas após a ingestão – o ácido fórmico, que interrompe a produção de energia nas células, faz com que o pH do sangue caia, danificando tecidos e órgãos do corpo. Isso pode causar insuficiência renal, convulsões e até sangramento gastrointestinal.
Devido ao seu rápido efeito no organismo, o início do tratamento deve ser feito assim que houve suspeita da intoxicação por metanol. Em ambiente hospitalar, existem medicamentos que podem ser administrados para tentar limpar o sangue, assim como a aplicação de diálise.
O antídoto para metanol é o álcool (etanol). Isso porque a metabolização do etanol pelo fígado pode ajudar a atrasar o metabolismo do metanol e reduzir seu efeito tóxico no corpo. Mas isso tem de ser feito rapidamente.
