A seleção de pessoas é uma tarefa que a liderança não deve delegar tão cedo, defenderam Kiko de Mello, fundador da Qulture Rocks, de soluções para RH, e Marcelo Linhares, CEO da Onfly, de gestão de viagens e despesas corporativas, durante o painel “Cultura e impacto no recrutamento nas empresas”, parte da programação do B55 Conference, em São Paulo.
Em sua primeira edição, a conferência é promovida pelo Instituto B55, hub de empreendedorismo criado por Cristhiano Faé, Andre Street, David Vélez e Guilherme Benchimol, e colocou empreendedores em contato com CEOs de companhias que já escalaram. Além do palco principal, o encontro teve uma sala de mentorias, com sessões práticas para grupos de até 100 participantes.
Mello abriu a conversa com uma distinção que, segundo ele, pouca gente conhece. “Teoricamente, recrutamento é o marketing e seleção é vendas”, resumiu. Para atrair candidatos, ele recomenda investir em marca empregadora mesmo com poucos recursos, com um Instagram que mostre o dia a dia na companhia e o CEO explicando a cultura.
Na etapa seguinte, a lógica se inverte, segundo o executivo. “Quanto mais legal você faz parecer que é trabalhar na sua empresa, mais você pode ser chato na seleção”, afirmou.
Linhares contou que, no início das operações da Onfly, todo contratado passava por uma conversa final com um dos sócios. “A última coisa que eu acho que tem que delegar é essa parte de recrutamento e seleção”, disse.
Mello alertou ainda que, com poucos candidatos por vaga, o gestor fica “muito mais tentado a cortar caminho”, erro que, admite, ter cometido várias vezes. Para ampliar o topo do funil, sugere buscar profissionais no LinkedIn, já que ser abordado pelo próprio fundador faz muita diferença. Inteligência artificial
Questionados pela plateia sobre gerações e inteligência artificial, os mentores falaram sobre o papel do líder. Para Linhares, é preciso “criar um ambiente em que as pessoas se respeitem mutuamente”. Na Onfly, ele avisou a todos que quem não aprendesse IA seria desligado. “Isso vale pra mim”, acrescentou. Mello prevê que, na transição, “vai se destacar quem tem uma cabeça mais empreendedora”.
Com cerca de 20 horas de conteúdo, a programação da B55 Conference girou em torno das três dimensões do método do instituto: cliente, talento e acionista. O palco principal recebeu nomes como Ram Charan, Uri Levine e Nizan Guanaes. Segundo a organização, 3.500 pessoas passaram pelo evento na terça-feira (29) e 3.000 nesta quarta (30).
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