Aviões da Azul e Gol ficam separados por apenas 22 metros verticais durante incidente em Congonhas; vídeo
Aviões da Azul e da Gol ficaram separados por apenas 22 metros de distância vertical na manhã desta quinta-feira (30), em um incidente durante operações simultâneas no Aeroporto de Congonhas, segundo apuração do portal especializado AeroIn. O evento de "perda de separação", jargão da aviação usado quando jatos cruzam o limite de espaço de segurança estipulado pelas regras de voo, gerou momentos de apreensão após os vídeos começarem a circular na internet.
O episódio começou quando a torre de controle autorizou o Boeing 737-800 da Gol, vindo de Salvador, a prosseguir com seu procedimento de descida para o pouso. Pouco depois, o jato da outra companhia recebeu permissão para entrar na pista e iniciar a decolagem rumo a Confins, em Minas Gerais. Imagens registradas pela câmera do canal “Golf Oscar Romeo” no YouTube mostram aconteceu a interação entre a Torre de Congonhas e os aviões da Gol e Azul.
Houve, entretanto, um descompasso no tempo de resposta, pois a aeronave da Azul demorou a iniciar sua corrida de aceleração. Percebendo o risco de as duas trajetórias se cruzarem, o profissional responsável pelo tráfego aéreo agiu prontamente, ordenando que a decolagem fosse interrompida e que o comandante da Gol realizasse uma arremetida, ou seja, uma manobra na qual o piloto desiste de pousar, volta a ganhar velocidade e sobe novamente para tentar a aterrissagem em segurança depois.
Como o comando inicial não foi confirmado de imediato pela tripulação que partia, o controlador reforçou a instrução e orientou o avião que chegava a fazer uma curva acentuada para a direita, buscando afastar as aeronaves.
Proximidade entre aviões da Gol e Azul ligaram alerta em Congonhas
Reprodução
Especialistas apontam que três barreiras de proteção atuaram para evitar um acidente. A primeira foi a atenção do próprio controlador de voo, que, diferente de relatos que circularam na internet, manteve a consciência situacional e o domínio do cenário o tempo todo.
A segunda envolveu as manobras manuais evasivas executadas pelos pilotos. Por fim, o TCAS, um sistema de segurança automático e independente, disparou alertas sonoros e visuais nos computadores de bordo, avisando as tripulações sobre a presença do outro avião.
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Moradores do bairro Jabaquara e passageiros relataram susto ao notar as aeronaves muito mais próximas do que o comum sobre a zona urbana, atingindo a separação mínima de cerca de 22 metros nas imediações da Rua Raiz da Serra. Apesar da tensão, o voo da Gol conseguiu realizar um novo procedimento e pousar sem problemas minutos depois, enquanto o Embraer da Azul seguiu viagem e aterrissou normalmente em seu destino.
O caso agora deve ser analisado pelo CENIPA, órgão de investigação aeronáutica, para identificar as razões da falha inicial de comunicação e aprimorar os fluxos de segurança. Todas as informações desta reportagem foram apuradas
Em nota enviada ao GLOBO, a Gol informou que o pouso do voo G3 1629 no Aeroporto de Congonhas (CGH) no dia 30/04/2026 ocorreu em segurança, dentro do horário programado. "A Companhia está colaborando integralmente com o CENIPA na apuração do fato. A GOL reforça que as ações em relação ao voo foram tomadas com foco na Segurança, valor número 1 da GOL".
A Azul informou que o voo AD6408 (Congonhas-Confins) desta quinta-feira, 30, seguiu os procedimentos operacionais previstos para a decolagem do aeroporto paulistano. "A Companhia reforça que a segurança é seu valor primordial, e que as suas operações são conduzidas de acordo com protocolos e regulamentações vigentes. A Azul está à disposição para colaborar com o Cenipa - Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, que está apurando o ocorrido".
A Aena informou que o controle de voos e aproximações é de responsabilidade do DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), órgão da FAB, que deve fornecer as informações sobre o incidente.
Procurada, a FAB não enviou posicionamento até a última atualização desta reportagem.
