Avanços científicos na Doença Hepática Esteatótica Metabólica serão centro de debate de Fórum

 

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As causas da doença do fígado, tratamentos e as possibilidades de prevenção estarão no centro do debate do Fórum Amazônico de Doença Esteatótica Metabólica (Masld 2026), no Hangar – Centro de Convenções da Amazônia, que será realizado no próximo sábado (28/03), em Belém. O evento será realizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Hepatologia na Amazônia (Nepha).


A Doença Hepática Esteatótica Metabólica (DHEM ou MASLD) é hoje uma das principais de cirrose e câncer em várias partes do mundo. Um dos participantes no Fórum que falará sobre a longa experiência com pacientes com doenças no fígado é o médico e professor universitário Salomão Kahwage Neto, de 71 anos. Kahwage com possui 48 anos de medicina é um dos maiores nomes da área médica na Amazônia e membro da Academia Paraense de Medicina.


"Antigamente, a gente achava que fígado gordo, ou esteatose hepática, era uma doença que não tinha grandes problemas, mas tem e muito. Tanto é que mudou de nome, hoje se chama doença hepática metabólica não-alcoólica. Hoje ela é a principal causa de cirrose em algumas partes do mundo e já é a principal causa de câncer de fígado em várias partes do mundo", explica o doutor Salomão.


A DHEM, conhecida anteriormente como esteatose hepática, está diretamente ligada a fatores como obesidade, diabetes, hipertensão, sedentarismo e alimentação inadequada. 


Segundo a pesquisadora Claudia Oliveira, professora da Universidade de São Paulo (USP), conhecimento médico científico apontam que a chamada 'gordura no fígado' pode evoluir para quadros graves de saúde. “Antigamente se pensava que era apenas uma ‘gordurinha no fígado’, mas hoje sabemos que é uma doença que pode evoluir para cirrose, câncer hepático e aumentar o risco cardiovascular”, explica Claudia Oliveira.


A especialista aponta que cerca de 30% da população mundial já possui a doença. Na América Latina, esse número é ainda mais significativo, aproximadamente 44%, colocando a região entre as de maior prevalência no planeta.


O doutor Kahwage detalha ainda que o agravamento da osteatose hepática para situações mais graves como cirrose ou câncer tem componentes genêticos. Alguns gênes estão associados a maior resistência ao desenvolvimento de doenças no fígado, enquanto outros deixam o corpo mais vulnerável.


"Hoje a gente tem marcado genético, todo indivíduo que tem osteatose hepática, a gente pode pedir os marcadores genéticos. Já tem laboratórios que fazem isso em Belém. E quem nasce com uma mutação PNPLA3 a chance de evoluir para cirrose é muito alta", destaca.


Atitudes simples como uma alimentação mais saudável e atividades físicas podem colaborar muito com a prevenção de doenças no fígado. "Sabe qual é o melhor remédio para doença no fígado? Comprar um bom tênis. Quanto mais você caminhar, mais você vai queimar gordura do fígado", relaciona.


FÓRUM - O evento nacional contará com a participação do pesquisador internacional Arun Sanyal, da Virginia Commonwealth University, uma das maiores referências globais no estudo da doença. A presença do especialista reforça a importância científica do fórum e o intercâmbio de conhecimento entre países. Além das discussões acadêmicas, o fórum também busca ampliar o olhar sobre a realidade amazônica, onde historicamente a atenção em saúde pública se concentra em doenças infecciosas.