Avanço de incêndios desacelera, mas França e Espanha ainda enfrentam horas decisivas para conter o fogo
Espanha e a França vivem horas decisivas no combate a incêndios florestais de grandes proporções, enquanto uma nova onda de calor ameaça dificultar os trabalhos das equipes de emergência.
No quarto dia de incêndios que se espalharam pelos dois países, autoridades relataram melhora parcial na situação durante a madrugada, mas alertaram que o aumento das temperaturas e a intensificação dos ventos podem voltar a favorecer a propagação do fogo.
Nesta terça-feira, o foco das operações passou a ser o resfriamento das áreas afetadas.
— Estamos apenas atentos a possíveis reignições para apagá-las o mais rápido possível e impedir que o fogo avance.
Dizemos isso há vários dias, mas hoje é o dia mais importante de todos para evitar que esse incêndio avance.
Se avançar, será necessário desenvolver uma estratégia defensiva mais acima, já sem garantias de que não chegue a El Escorial (na Espanha).
Nesta noite, o fogo foi contido — disse ao El País o bombeiro Israel Naveso.
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Na Espanha, os bombeiros contiveram o avanço das frentes ativas de incêndio que atingem a Serra Oeste de Madri e impedir que as chamas chegassem a Valdemaqueda.
O entorno do rio Cofio continua sendo apontado como a área mais crítica, enquanto o incêndio ainda permanece ativo nas províncias de Madri, Ávila e Toledo.
Outro grande foco segue queimando em Vall d’Uixó, na província de Castellón, onde o fogo já consumiu 8,5 mil hectares.
‘Luz no fim do túnel’
O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, afirmou nesta terça-feira que a madrugada foi “razoavelmente positiva” para a evolução dos incêndios em Madri, Ávila e Toledo graças ao trabalho das equipes de combate ao fogo.
No entanto, disse que a prioridade agora é “consolidar os avanços obtidos durante a noite”, destacando que o momento continua sendo “fundamental” para conter o fogo antes da chegada da nova onda de calor.
— O que mais preocupa é a frente norte, junto ao rio Cofio.
A noite parece ter sido positiva, mas o incêndio, à noite, é como um gatinho que dorme, e durante o dia, pode ser um grande leão — disse ao programa La hora de La 1 o prefeito Fernando Casado, acrescentando que a mudança prevista na direção do vento e o aumento das temperaturas podem voltar a complicar a situação, embora tenha destacado o deslocamento de mais de 400 agentes para a área mais sensível do incêndio.
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O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, afirmou ver uma “luz no fim do túnel”, mas destacou que espera “horas especialmente complexas” pela frente.
Ele também anunciou que as áreas atingidas serão declaradas zonas de emergência para permitir a liberação de ajuda financeira.
Ao apresentar um balanço da situação, ele disse que incêndios florestais já deixaram mais de 170 mil hectares queimados no país este ano — seis vezes mais do que o total registrado em todo o ano passado.
— De fato, estamos revertendo a situação e podemos começar a ver luz no fim do túnel na luta contra esses incêndios, com toda a cautela, especialmente diante dos dias e das horas complexas que temos pela frente — declarou Sánchez, acrescentando que, no atual ambiente político, “o negacionismo climático é o pior dos combustíveis diante da emergência climática”.
— Negar a realidade e os alertas da ciência não nos prepara; pelo contrário, nos torna muito mais vulneráveis e deixa nossa população muito mais insegura.
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Risco ‘muito alto’
Na região de Madri, a Delegação do Governo pediu que a população redobre os cuidados após a Agência Estatal de Meteorologia (Aemet) elevar para muito alto ou extremo o risco de incêndios em grande parte do território.
As previsões indicam temperaturas de até 41°C em partes da Espanha e do sudoeste da França nesta quarta-feira, acompanhadas por ventos e brisas que podem reacender focos e dificultar os trabalhos de combate.
Segundo a Aemet, quase toda a Espanha permanece sob risco muito alto de incêndios florestais.
Autoridades espanholas começaram a planejar o retorno gradual da população deslocada nas áreas onde as condições permitirem.
Na Comunidade de Madri, equipes do governo regional e da Unidade Militar de Emergências (UME) realizam inspeções para verificar a estabilidade das áreas queimadas antes de autorizar o retorno às residências.
Em Castilla-La Mancha, o incêndio que atinge Toledo teve o nível de emergência reduzido para 2, permitindo que o governo regional assumisse o comando das operações de combate.
Ao todo, 47 rodovias espanholas foram interditadas, cerca de 63 mil pessoas foram deslocadas de suas casas nos últimos dias e outras 30 mil receberam ordens para permanecer abrigas, em parte para evitar o congestionamento das estradas.
Na segunda-feira, a presidente da Comunidade de Madri, Isabel Díaz Ayuso, anunciou medidas de apoio aos afetados, incluindo assistência jurídica para pedidos de indenização junto às seguradoras, auxílio financeiro para aluguel e reparos em moradias, além de garantias para empréstimos.
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Na França, diversos incêndios continuavam ativos nesta terça-feira, desde o departamento de Gironde, região no sudoeste próxima a Bordeaux, até as colinas acima do Mediterrâneo e a ilha da Córsega.
Em Gironde, o incêndio ainda não havia sido totalmente controlado, e centenas de bombeiros seguiam combatendo as chamas, segundo as autoridades locais.
O fogo já destruiu 42 mil hectares e levou à evacuação de cerca de 220 mil pessoas desde 22 de julho.
Nesta terça-feira, outras 4 mil pessoas deixaram hospedagens turísticas em Lacanau por precaução.
Embora as autoridades considerem que a situação tenha melhorado, o aumento previsto das temperaturas preocupa as equipes de emergência, que seguem monitorando focos também nas regiões mediterrâneas e na ilha da Córsega.
O presidente francês, Emmanuel Macron, reconheceu que “as próximas semanas serão difíceis”, em meio às críticas da oposição sobre a resposta do governo e à proximidade das eleições presidenciais previstas para abril.
Temporada de incêndios
Espanha e França têm sido o epicentro da temporada de incêndios florestais na Europa, que começou mais cedo neste ano e se intensificou nas últimas semanas à medida que sucessivas ondas de calor ressecaram a vegetação, facilitando a rápida propagação das chamas.
As temperaturas em partes da Espanha e do sudoeste da França podem chegar a 41°C nesta quarta-feira, aumentando ainda mais a pressão sobre os serviços de emergência.
— A Europa teve muito pouco tempo para se recuperar de uma onda de calor antes da chegada da próxima — disse Jason Nicholls, meteorologista-chefe internacional da AccuWeather.
— Cada nova rodada de calor extremo agrava os impactos.
O solo seco, a seca persistente e a vegetação estressada aumentam o risco de incêndios florestais, enquanto o calor prolongado continua pressionando os recursos hídricos, a agricultura e a saúde pública em toda a região.
Os incêndios florestais já queimaram mais de 423 mil hectares em toda a Europa nesta temporada, destruindo plantações e interrompendo serviços de transporte.
As mudanças climáticas estão intensificando os períodos de calor extremo no continente, que é o que mais aquece no mundo.
Temperaturas recordes e a seca alimentaram o pior início já registrado da temporada global de incêndios florestais, e cientistas do clima alertam que o desenvolvimento do fenômeno El Niño pode trazer condições ainda mais severas no restante do verão.
Países da União Europeia, que se uniram aos esforços de combate aos incêndios na Espanha e na França, ampliaram na segunda-feira sua operação de apoio, elevando para nove aviões e dois helicópteros a frota enviada por meio do Mecanismo de Proteção Civil do bloco.
A área semanal devastada pelo fogo chegou a 180 mil hectares até a última quarta-feira, o maior índice para este período do verão em pelo menos 20 anos, segundo dados do programa Copernicus.
(Com Bloomberg e AFP)
