Autoridades sauditas e israelenses vão aos EUA enquanto Trump avalia ataques ao Irã; Rússia alerta contra uso de força
Autoridades de Israel e da Arábia Saudita se dirigiram a Washington nesta semana para reuniões a fim de discutir a atual escalada de tensões dos EUA com o Irã, em meio às ameaças do presidente Donald Trump de realizar um novo ataque contra a nação persa — algo visto com ressalva por seus aliados no Oriente Médio. O regime iraniano prometeu responder com força a qualquer ação hostil contra o país, o que provoca temores sobre a eclosão de um conflito armado para além das fronteiras de Teerã. A possibilidade de uma queda do regime dos aiatolás, e a instabilidade imediatamente posterior a isso, também é motivo de preocupação.
As reuniões entre representantes americanos e autoridades de países aliados no Oriente Médio, que devem continuar até o fim da semana, foram descritas por fontes em Washington ouvidas pelo portal Axios. Elas afirmaram que enquanto representantes israelenses estiveram na capital americana para compartilhar informações de inteligência, incluindo possíveis alvos a serem atacados no território do Irã, a parte saudita estaria focada em pressionar por uma saída diplomática e em demonstrar que uma guerra regional seria inaceitável.
Apesar de observarem o Irã como um rival estratégico, tanto Riad quanto Jerusalém expressaram em alguma medida preocupação com uma ação americana na região. O príncipe saudita, Mohamed bin Salman, chegou a afirmar nesta semana que não permitiria que nenhuma ação militar americana se utilizasse do espaço aéreo do país para atacar o Irã, em uma ligação com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. Os Emirados Árabes Unidos, outro aliado americano, prometeu o mesmo.
Os dois países árabes se opõem a novo conflito que traga instabilidade à região. Além de abrigarem bases americanas — o que poderia torná-los alvos dos mísseis e drones de Teerã —, uma guerra no Irã certamente afetaria o Estreito de Ormuz, passagem de 20% do petróleo produzido no mundo, e traria perturbações a uma variedade de setores econômicos e atividades cotidianas.
No caso de Israel, principal aliado militar e estratégico dos EUA, o receio sobre uma nova disputa com o Irã se justifica pelo possível impacto ao sistema de defesa antiaérea do país. Embora a sistema em camadas tenha garantido uma taxa de interceptação alta durante a guerra de 12 dias, o registro de mortes civis em meio aos bombardeios iranianos mostrou os limites das capacidades defensivas — que operam a um alto custo.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, teria informado Trump sobre as preocupações sobre a capacidade de repor os estoques das baterias antiaéreas em janeiro, segundo apuração do jornal israelense Jerusalem Post. Ainda de acordo com a publicação, o alerta israelense foi um dos motivos que levou o Pentágono a reavaliar um possível ataque mais cedo neste ano.
Outros países tentam apelar por uma desescalada, ao mesmo tempo em que fazem preparativos para um possível ataque de Trump. A Turquia, aliado americano na Otan que tem 550 km de fronteira com o Irã, ofereceu-se para mediar o diálogo entre Teerã e Washington. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, viajará para o país na sexta-feira, para uma reunião com o ministro turco das Relações Exteriores, Hakan Fidan.
Uma declaração antecipada por Ancara afirma que Fidan vai "reiterar a oposição" a uma intervenção militar no Irã e apontará "os riscos de tal iniciativa para a região e o mundo". Em paralelo, funcionários do governo turco afirmam que o país se prepara para todos os cenários. Uma fonte ouvida pela AFP afirmou que estão sendo estudadas maneiras de reforçar a fronteira em caso de queda do regime iraniano, incluindo a implantação de "sistemas de segurança tecnológicos" e o aumento do número de soldados.
*Matéria em atualização
