Autoridades dos EUA e de Cuba se reúnem em Havana sob pressão de Trump por mudanças econômicas
Uma delegação sênior do Departamento de Estado dos EUA em Havana instou o governo cubano a abrir a economia estatal e evitar um colapso agravado pelo bloqueio de petróleo imposto pela administração de Donald Trump. Nas conversas de 10 de abril, diplomatas americanos reiteraram que a economia cubana está em forte queda e que os líderes do regime têm uma janela curta para implementar mudanças-chave com apoio dos EUA antes que a situação se deteriore de forma irreversível, segundo um funcionário do governo.
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Os representantes dos EUA afirmaram que Trump está comprometido em buscar uma solução diplomática, se possível, mas não permitirá que Cuba se transforme em uma ameaça à segurança nacional caso seus líderes não estejam dispostos ou sejam incapazes de agir, disse a fonte.
Alejandro García del Toro, diretor-adjunto do Ministério das Relações Exteriores de Cuba responsável por assuntos dos EUA, afirmou ao jornal estatal Granma na segunda-feira que o encontro foi “respeitoso e profissional”. Ele negou que tenham sido feitos ultimatos ou estabelecidos prazos e indicou que o governo cubano está focado em pôr fim ao bloqueio.
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García também acusou Washington de exercer “chantagem” contra países que desejam exportar petróleo para Cuba.
Entre os temas discutidos estiveram planos para disponibilizar o serviço de internet via satélite Starlink na ilha, segundo o funcionário do Departamento de Estado. Outros assuntos incluíram compensações a cidadãos e empresas americanas por bens confiscados, a libertação de presos políticos e preocupações sobre a atuação, em Cuba, de serviços de inteligência estrangeiros, forças militares e organizações terroristas.
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Um representante dos EUA também se reuniu separadamente com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, acrescentou a fonte. Neto do líder revolucionário Raúl Castro, de 94 anos, ele emergiu como uma figura-chave no impasse entre Trump e o governo comunista cubano.
Desde que os EUA ampliaram a pressão sobre a Venezuela, principal aliado de Cuba, no início de janeiro, Washington bloqueou quase todos (exceto um) os petroleiros russos que levavam petróleo à ilha, agravando apagões crônicos e provocando escassez de gasolina, diesel e combustível de aviação.
— O fim do bloqueio energético é uma questão de máxima importância para nossa delegação — disse García del Toro, classificando a medida dos EUA como “um ato de coerção econômica que pune injustificadamente toda a população cubana”.
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Embora os EUA tenham bloqueado o envio de petróleo ao governo cubano, permitiram que empresas forneçam combustível ao pequeno, mas crescente, setor privado da ilha.
A reunião de 10 de abril foi revelada inicialmente pelo site Axios na sexta-feira. O jornal USA Today informou no domingo que autoridades americanas deram a Cuba um prazo de duas semanas para libertar presos políticos de alto perfil.
O acesso ao Starlink, operado pela SpaceX, de Elon Musk, pode não ser visto como um benefício, já que o governo em Havana controla rigidamente as comunicações e proíbe o uso de sistemas de internet via satélite.
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Trump afirma há meses que o regime cubano, no poder há 67 anos, precisa chegar ao fim, e sugeriu que o uso da força pode ser considerado após a resolução da guerra com o Irã.
Nos últimos meses, Havana anunciou a libertação de dezenas de presos como gesto de “boa vontade”, embora organizações de direitos humanos questionem a transparência dessas medidas.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, sustenta que há espaço para negociações entre os antigos rivais, mas insiste que a liderança da ilha e seu sistema de governo não estão em discussão.
