Autoridade eleitoral da Colômbia barra candidato favorito à Presidência em primária; esquerdista denuncia 'violação'
A autoridade eleitoral da Colômbia impediu o candidato favorito às eleições presidenciais de 2026, o senador Iván Cepeda, de participar de uma primária crucial, o que representou um revés para sua coligação de esquerda. Em audiência pública, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) disse que o senador, aliado do presidente Gustavo Petro, não pode participar da consulta sob a alegação de que ele já participou de uma votação interna do partido em outubro.
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Cepeda ainda pode se candidatar à presidência, mas não como representante da ampla coalizão de facções de esquerda que está realizando a primária. As pesquisas mostram que ele teria vencido com folga, então a decisão provavelmente dividirá seus votos ao forçá-lo a enfrentar outro candidato de esquerda.
A principal coligação de esquerda deve agora selecionar seu candidato a partir de uma lista reduzida que inclui o ex-senador Roy Barreras e o ex-ministro do Interior, Juan Fernando Cristo, que, segundo as pesquisas, são bem menos populares que Cepeda. A primária está marcada para 8 de março, quando os colombianos também votarão para o Congresso.
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Petro não está apto a concorrer, e a maioria dos partidos que o apoiava havia manifestado seu apoio a Cepeda.
— A consolidação que poderia ter ocorrido em torno de Cepeda não acontecerá em março, mas ele ainda provavelmente estará na cédula em maio — disse Armando Armenta, economista sênior da AllianceBernstein, em Nova York.
Com a participação de Cepeda nas prévias de março barrada, Petro afirma que o CNE está politizado e que a decisão é um “grave golpe para a democracia”.
“Diante da violação do nosso direito à participação política (…), vou me inscrever para o primeiro turno das eleições presidenciais e vamos vencer”, postou Cepeda no X nesta quinta-feira, anunciando também a retirada da coalizão governista Pacto Histórico destas consultas.
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Os títulos de dívida colombianos em dólares ampliaram os ganhos após a notícia e figuraram entre os de melhor desempenho nos mercados emergentes. As notas com vencimento em 2049 subiram 0,7 centavo de dólar.
— Isso significa que a esquerda provavelmente iria dividida, com dois candidatos para o primeiro turno — disse Alejandro Arreaza, economista do Barclays.
— Além disso, o vencedor de uma primária de centro-esquerda diferente também poderia tirar alguns votos de Cepeda. Nesse cenário, a candidatura de Cepeda poderia enfraquecer — completou.
Corrida eleitoral
Nas primárias de março, forças da esquerda, da direita e do centro vão se enfrentar com o objetivo de escolher os candidatos que vão disputar o primeiro turno das presidenciais, em 31 de maio.
Cepeda, de 63 anos, filósofo e defensor dos direitos humanos, lidera as pesquisas de intenção de voto para a Presidência.
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É inimigo declarado do influente ex-presidente de direita Álvaro Uribe (2002 - 2010), a quem denunciou por supostos vínculos com paramilitares.
O segundo melhor colocado nas pesquisas é o candidato independente Abelardo de la Espriella, um excêntrico advogado defensor da linha-dura contra o crime. O candidato já defendeu personalidades controversas como Alex Saab, um empresário colombiano que esteve preso nos Estados Unidos por lavagem de dinheiro, acusado de ser testa-de-ferro do presidente venezuelano deposto Nicolás Maduro.
Roy Barreras, ex-presidente do Senado e ex-embaixador da Colômbia no Reino Unido, no momento tem intenções de voto minoritárias.
(Com Bloomberg e AFP)
