Autismo: nova terapia pode melhorar a comunicação social de crianças em apenas cinco dias

 

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Uma nova técnica não invasiva de estimulação cerebral é segura e pode melhorar a comunicação social de crianças com autismo, mostra um estudo publicado por pesquisadores chineses nesta quarta-feira na revista científica The BMJ.

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Segundo os responsáveis pelo trabalho, a técnica, chamada de estimulação acelerada contínua em rajadas theta (a-cTBS), tem a vantagem de envolver sessões mais curtas em comparação com a estimulação cerebral convencional, tornando-a mais adequada para pacientes infantis.

No estudo, um ensaio clínico randomizado, 200 crianças com idades entre 4 e 10 anos, com autismo, foram recrutadas de três hospitais acadêmicos chineses entre julho de 2023 e outubro de 2024. Metade dos participantes também tinha alguma deficiência intelectual.

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As crianças foram divididas em dois grupos, em que um recebeu a técnica a-cTBS por cinco dias consecutivos, com 10 sessões diárias, e o outro recebeu uma simulação do tratamento pelo mesmo período, sem efeito, para comparação.

A estimulação cerebral foi direcionada ao córtex motor primário esquerdo do cérebro, que está ligado ao movimento, linguagem e cognição social. Os pesquisadores mediram mudanças no comprometimento da comunicação social entre o início do estudo até após a intervenção e também depois de um acompanhamento de um mês.

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Em comparação com o outro grupo, que não recebeu a técnica, aqueles submetidos ao novo tratamento apresentaram melhorias significativamente maiores, com reduções médias na pontuação de comprometimento da comunicação de 6,25 pontos após a intervenção e de 6,17 pontos no acompanhamento de um mês.

Segundo os pesquisadores, as crianças que realizaram a a-cTBS também tiveram melhorias maiores nas habilidades de linguagem, e o procedimento foi considerado seguro: todos os eventos adversos foram leves a moderados e se resolveram espontaneamente. Os mais comuns foram inquietação e desconforto no couro cabeludo.

Os pesquisadores reconhecem algumas limitações do estudo, como uma maior expectativa de tratamento no grupo que recebeu a intervenção, o que pode interferir nos resultados, o acompanhamento curto, de apenas um mês, e o fato de 80% dos participantes dos testes terem sido meninos.

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No entanto, eles afirmam que a inclusão de crianças pequenas e com deficiência intelectual, algo difícil em trabalhos do tipo, demonstra a ampla aplicabilidade do novo protocolo, e que os efeitos consistentes observados entre os participantes oferecem maior confiança em suas conclusões.

No estudo, eles defendem que “o protocolo de cinco dias de a-cTBS (...) oferece uma opção terapêutica viável, eficaz e escalável para crianças com TEA (transtorno do espectro autista), incluindo aquelas com deficiência intelectual”. “Esse protocolo representa um avanço importante rumo a um cuidado mais equitativo para o autismo em todo o mundo”, continuam.

Em um artigo sobre o estudo publicado de forma simultânea no site The Conversation, os pesquisadores também explicaram como é feita a nova técnica. “Um dispositivo mantido próximo ao couro cabeludo gera um campo magnético que muda rapidamente, atravessa o crânio de forma inofensiva e estimula a atividade dos neurônios abaixo”, afirmaram.

Eles citaram que a técnica de estimulação cerebral é usada há anos para tratar depressão, mas tem sido explorada cada vez mais como uma nova alternativa para ajudar com as dificuldades de comunicação e interação social, que são um sintoma central do autismo.

“A versão que testamos utiliza uma técnica chamada estimulação theta-burst, que aplica pulsos em agrupamentos rápidos em vez de um por vez. Isso torna cada sessão muito mais curta do que nas abordagens convencionais, o que é uma vantagem prática importante quando se pede que crianças pequenas fiquem paradas e cooperem”, continuaram os pesquisadores.

Os autores reforçaram que ainda não está claro por quanto tempo os benefícios duram além de um mês, quantas sessões seriam necessárias para mantê-los, ou como a abordagem funcionaria ao ser transferida de um ambiente de pesquisa para uma clínica comum.

Além disso, lembraram que a estimulação cerebral não substitui o suporte comportamental, frisando que o equipamento necessário para a nova técnica não é barato nem amplamente disponível.

Mesmo assim,”para famílias já sobrecarregadas, mesmo ganhos modestos e duradouros na capacidade de comunicação de uma criança podem ter enorme importância e melhorar significativamente seu bem-estar e qualidade de vida”, concluíram.

Em um editorial sobre o novo estudo, publicado de forma vinculada também na The BMJ, pesquisadores em Hong Kong que não participaram do trabalho concordaram que os achados são promissores, mas defenderam um otimismo cauteloso.

Embora a a-cTBS “não deva substituir o apoio psicossocial ou a adaptação educacional,” ela “pode se tornar um componente importante de um caminho multimodal para crianças com autismo com dificuldades significativas de comunicação social,” desde que seja “mais replicada e integrada de forma cuidadosa ao cuidado comportamental”, escreveram.