Austríaco que admitiu plano de ataque contra show de Taylor Swift pode ser condenado a 20 anos; sentença deve ser anunciada nesta quinta-feira

Austríaco que admitiu plano de ataque contra show de Taylor Swift pode ser condenado a 20 anos; sentença deve ser anunciada nesta quinta-feira

 

Fonte: Bandeira



Um tribunal austríaco deveria anunciar nesta quinta-feira a sentença de um jovem de 21 anos acusado de planejar um ataque jihadista frustrado contra um show de Taylor Swift em Viena, caso que levou ao cancelamento de três apresentações da turnê Eras no verão europeu de 2024. O acusado, identificado como Beran A., pode ser condenado a até 20 anos de prisão.

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O julgamento ocorre em Wiener Neustadt, nos arredores da capital austríaca. Segundo o processo, Beran A. começou a ser julgado no mês passado por crimes de terrorismo e outras acusações ligadas ao suposto plano associado ao grupo Estado Islâmico.

O réu declarou-se culpado da maior parte das acusações, admitindo os crimes atribuídos a ele, com exceção da acusação de cumplicidade em tentativa de homicídio. Beran A. foi preso um dia antes do show cancelado e permanece detido desde então.

Segundo a acusação, ele responde pelo planejamento do atentado, pela formação de uma célula do Estado Islâmico e por crimes de terrorismo.

No último dia do julgamento, policiais mascarados conduziram Beran A. e outro acusado, Arda K., ao tribunal. De acordo com a Agência France-Presse (AFP), ambos passaram grande parte da sessão sentados, de cabeça baixa e olhando para o chão.

Austríaco que admitiu plano de ataque contra show de Taylor Swift

AFP

O tribunal ouviu depoimentos de dois especialistas em psicologia e recebeu as alegações finais antes do veredicto esperado ainda nesta quinta-feira.

Acusado disse que queria 'travar a jihad'

Em depoimento prestado anteriormente ao tribunal, Beran A. afirmou que havia se convencido de que "precisava travar a jihad". Ao mesmo tempo, declarou que tinha "medo de morrer".

Segundo o relato apresentado no julgamento, o acusado escolheu o estádio Ernst Happel, em Viena, onde Taylor Swift se apresentaria, como alvo do ataque. Ele descreveu ainda como buscou instruções para fabricar uma bomba e admitiu que tentou produzir o artefato sem sucesso.

Além das orientações sobre explosivos, Beran A. afirmou ter procurado instruções sobre armas em grupos de conversa e junto a um integrante de alto escalão do Estado Islâmico. Nas alegações finais, Beran A. e Arda K. pediram desculpas: "Só quero dizer que sinto muito".

Taylor Swift no MTV Video Music Awards , em 2023

Mike Coppola / AFP

Os dois são acusados ao lado de um terceiro austríaco, Hasan E., preso na Arábia Saudita e acusado de esfaquear um agente de segurança em Meca em 2024, além de ferir outras quatro pessoas.

Segundo os promotores, os três formaram uma "célula terrorista do Estado Islâmico altamente perigosa". A acusação sustenta que o grupo planejava vários ataques em nome do Estado Islâmico, principalmente fora da Áustria.

Os promotores afirmam ainda que Beran A. integra a organização desde 2023, compartilhando propaganda do grupo e "alinhou-se abertamente" ao EI.

Defesa pede absolvição parcial

A promotoria argumentou que o júri tinha a "chance de enviar um sinal claro" ao responsabilizar o acusado por todas as acusações. Segundo o Ministério Público, Beran A. incentivou Hasan E. por meio de "contato intenso" e outras formas não detalhadas no processo.

A defesa, porém, pediu absolvição parcial.

A advogada Anna Mair afirmou que não há provas de que o jovem tenha incentivado Hasan E. no ataque com faca em Meca.

— Beran não é um líder, não é um mentor ideológico — explicou.

Segundo a defesa, caso ele seja absolvido da acusação de cumplicidade em tentativa de homicídio, a pena máxima poderá cair para dez anos de prisão.

O plano contra o show de Taylor Swift foi frustrado com ajuda da inteligência dos Estados Unidos. Após o cancelamento das apresentações, a cantora comentou o episódio nas redes sociais.

"O motivo dos cancelamentos me trouxe um novo sentimento de medo e uma enorme culpa, porque tantas pessoas haviam planejado comparecer àqueles shows", escreveu.

O caso teve repercussão internacional. No ano passado, um tribunal de Berlim condenou um adolescente sírio de 16 anos por contribuição ao plano de ataque contra o show da cantora, impondo pena suspensa de 18 meses.