Australiana usa a própria urina em tratamento de beleza e alega melhoras na pele e no intestino

 

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Lucy Aura tem 44 anos e há pelo menos cinco documenta na internet sua transformação em decorrência de um tratamento inusitado. A moradora de Kuranda (Queensland, Austrália), que tem dois filhos, usa a própria urina como tratamento de beleza. Segundo ela, a iniciativa provoca melhoras significativas na pele e no comportamento do intestino.

Lucy antes e depois do tratamento

Fonte: Divulgação (@lucy_aura_8)

A australiana explica em seus posts que, todos os dias, bebe a própria urina no que ela chama de ciclo — assim que vai ao banheiro coleta o fluido excretório num copo e o bebe fresco. O restante que ela não bebe imediatamente é armazenado para ser usado em outros momentos. Esse processo de armazenamento é descrito por ela como uma “evolução” da urina, permitindo que os fluidos sejam aplicados posteriormente na pele, no cabelo e até nos dentes durante a escovação.

Segundo Lucy, todo o corpo pode ser beneficiado pela aplicação de urina.

"Quando sinto que preciso desintoxicar, bebo a urina evoluída ao longo do dia. Isso provoca todas as liberações que meu corpo precisa", diz ela no Instagram. Além da urina, ela também reforça a importância da ingestão de bastante água ao longo do dia.

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A terapeuta espiritual relatou não apenas melhoras na pele, como também na eliminação de parasitas e uma “reeducação” do próprio intestino.

“Hormônios e enzimas exigem muita energia para serem produzidos pelo corpo, então reintroduzi-los é altamente benéfico”, acrescentou num vídeo.

O tratamento começou em 2021 depois que Lucy conheceu “mulheres lindas” que realizavam os procedimentos e a explicaram como tudo funcionava.

Além da ingestão de urina, Lucy também compartilha uma rotina de exercícios nas redes sociais

Fonte: Divulgação (@lucy_aura_8)

Lucy alega que muitas pessoas a criticam nas redes sociais por compartilhar as práticas completamente fora do comum, mas, segundo ela, “quanto mais pratico, menos me importo”.

Prática milenar

Tratamentos com urina já estavam presentes em textos hindus há pelo menos cinco mil anos. A prática se tornou conhecida ao longo tempo também no Egito, na China, na Tailândia e até no Império Romano.

O aventureiro americano e astro da TV Bear Grylls se tornou conhecido pelo uso da própria urina e recomendações sobre ingestão e aplicação em seus programas de sobrevivência. Em 2009, durante a preparação para a luta contra Floyd Mayweather Jr., o boxeador mexicano Juan Manuel Márquez também adotou a prática, o que não o ajudou a vencer o confronto. Ele acabou derrotado por pontos depois de 12 rounds.

O que a ciência diz a respeito?

No campo da ciência, em 1945 o naturopata britânico John W. Armstrong publicou um livro chamado “A água da vida: tratado de urinoterapia”, no qual ele afirma que beber a própria urina e passá-la na pele poderia curar doenças graves. Os postulados, no entanto, não sobreviveram ao tempo.

Segundo publicação de 2016 da Associação Americana de Urologia, muito do que é dito sobre tratamentos com urina não passa de crendices populares sem base médica constatada. A aplicação, inclusive, pode piorar a situação de lesões na pele, como no caso de queimaduras por água-viva e até sobrecarregar o trabalho dos rins.

A ureia isolada, no entanto, é utilizada pela indústria cosmética em cremes para a pele e até na agricultura como fertilizante. A substância, rica em nitrogênio, é um dos resíduos eliminados pela urina.

* Estagiário sob supervisão de Fernando Moreira