Austrália propõe permitir que usuários 'desliguem' algoritmos das redes sociais

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O governo da Austrália apresentou nesta quinta-feira (15) ao Parlamento um projeto de lei que pretende dar aos usuários das redes sociais o poder de escolher o que aparece em seus feeds. A proposta obriga plataformas como Instagram, Facebook e TikTok a oferecer uma opção sem recomendações algorítmicas, limitada às publicações de pessoas e criadores que cada usuário decidiu seguir. A iniciativa faz parte de um pacote mais amplo de medidas para responsabilizar empresas de tecnologia por danos causados em ambientes digitais. Veja também: Fila para 30 vagas de emprego chega a dez quarteirões em Buenos Aires e surpreende argentinos; vídeo Bali sem gasolina: atrasos em navios-tanque deixam postos sem combustível e motoristas enfrentam filas para abastecer; vídeo Batizada de My Feed, My Way — algo como “Meu feed, minhas escolhas”, em tradução livre —, a proposta permitirá que os usuários optem entre um feed personalizado por algoritmos, que selecionam conteúdos com base em interesses e comportamentos, e outro restrito às contas que acompanham. A escolha deverá ser apresentada de forma clara pelas plataformas, que terão de respeitar a preferência dos usuários. A iniciativa integra o projeto de lei sobre o dever de cuidado digital (Digital Duty of Care), que estabelece novas obrigações para empresas de tecnologia. O governo australiano argumenta que as plataformas devem assumir maior responsabilidade pelos riscos associados ao funcionamento de seus serviços, em vez de deixar aos usuários o ônus de lidar com conteúdos prejudiciais. O projeto também prevê medidas para proteger crianças e adolescentes menores de 18 anos de conteúdos considerados nocivos. A lista inclui publicações que incentivem distúrbios alimentares, promovam hostilidade contra mulheres, divulguem pornografia, glorifiquem crimes ou estimulem comportamentos perigosos. Conteúdos relacionados a bullying, abuso e sofrimento psicológico grave também estão entre as preocupações do governo. As exigências não se restringem às redes sociais. Jogos on-line, aplicativos e chatbots de inteligência artificial também poderão ser obrigados a adotar medidas para reduzir riscos, inclusive aqueles associados a recursos de design que incentivem o uso compulsivo ou prejudiquem a autoestima dos jovens. O projeto prevê multas de até 109,2 milhões de dólares australianos para empresas que descumprirem as obrigações. A fiscalização ficará a cargo da eSafety, agência australiana responsável pela segurança na internet. País já proibiu redes sociais para menores de 16 anos A proposta representa mais uma etapa da política australiana de regulação das plataformas digitais. Em dezembro do ano passado, o país colocou em vigor uma proibição de acesso a determinadas redes sociais para menores de 16 anos, medida que ganhou repercussão internacional e passou a ser observada por governos interessados em restringir a exposição de crianças e adolescentes aos ambientes digitais. Com a nova iniciativa, o governo pretende ir além da restrição por idade e interferir também na maneira como as plataformas organizam e recomendam conteúdos aos usuários adultos. A intenção é ampliar o controle individual sobre a experiência digital e reduzir a exposição a publicações potencialmente prejudiciais. O primeiro-ministro Anthony Albanese afirmou que a proposta não busca transferir ao governo o controle sobre o conteúdo das redes, mas devolver aos usuários o poder de escolha. A ministra das Comunicações, Anika Wells, também defendeu que as empresas assumam maior responsabilidade pelos riscos produzidos pelos serviços que oferecem. Projeto enfrenta resistência política A aprovação, porém, não está garantida. A proposta enfrenta resistência da oposição conservadora, que acusa o governo de ampliar excessivamente seus poderes sobre a internet e promete contestar o texto durante a tramitação. O Partido Trabalhista, que governa o país, também precisará negociar apoio no Senado para avançar com a iniciativa. As críticas envolvem tanto o alcance das obrigações impostas às empresas quanto a definição dos conteúdos considerados prejudiciais. Defensores da liberdade de expressão temem que a ampliação dos poderes regulatórios abra espaço para intervenções excessivas sobre o debate público.

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