Auditoria do TCU aponta 'erros primários' e 'riscos elevados' em tentativa de compra do Master pelo BRB

 

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Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou "erros primários" e "exposição a riscos elevados" nas projeções financeiras da tentativa de compra do Master pelo banco estatal BRB — barrada pelo Banco Central. Apesar disso, o documento concluiu que não foram identificadas "impropriedades, omissões ou negligência" sobre a atuação do BC no caso Master.

O documento, encaminhado à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, traz análise concluída após a liquidação do Master, em novembro de 2025.

Segundo a área técnica do tribunal, a proposta foi barrada após a identificação de inconsistências relevantes, incluindo “negociação de ativos bilionários sem comprovação de sua existência” e “ausência de análise detalhada (due diligence)”. A auditoria aponta que a estrutura do negócio não apresentou mecanismos adequados para reduzir os riscos envolvidos.

As tratativas entre BRB e Banco Master ocorreram quando o banco público tentou comprar a instituição privada. A operação foi barrada pelo Banco Central, que apontou problemas na proposta, e, semanas depois, decretou a liquidação do Master após identificar insolvência e indícios de irregularidades.

Neste contexto, o relatório indica que os gestores do BRB mantiveram as tratativas mesmo diante de alertas do Banco Central. De acordo com os auditores, houve “falta de diligência e possível gestão temerária” ao prosseguir com a operação “mesmo diante de indícios de fraudes” e de “reiterados pedidos de esclarecimentos” feitos pelo regulador.

Outro ponto destacado é a atuação do governo do Distrito Federal, controlador do banco. Segundo o TCU, houve tentativa de “acionar o tribunal como instância recursal ao Banco Central”, apesar das falhas já apontadas na análise da viabilidade econômico-financeira do negócio.

Diante da apuração, os técnicos avaliam que as condutas “sugerem possível violação aos princípios constitucionais” da administração pública e recomendam o envio do caso aos órgãos de controle do DF para apuração de eventuais irregularidades.

As conclusões do TCU dialogam com auditorias internas do próprio BRB, que já haviam identificado falhas de governança, com concentração de poder e decisões tomadas fora das instâncias formais, além de problemas na análise de risco na compra de carteiras do Master.

A auditoria, por outro lado, afasta falhas na atuação do Banco Central. Segundo o relatório, “não foram identificadas impropriedades, omissões ou negligência na atuação do Banco Central do Brasil”, e a liquidação do Master foi considerada “medida imperativa, legal e tecnicamente fundamentada, adotada tempestivamente após o esgotamento” das alternativas de recuperação.