Atual campeã, Beija-Flor encerra ensaios técnicos na Sapucaí sob alta expectativa

 

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Atual campeã do carnaval carioca, a Beija-Flor de Nilópolis foi a última escola a pisar na Marquês de Sapucaí neste domingo, durante o encerramento dos ensaios técnicos. Sob chuva e com arquibancadas cheias, a azul e branca mostrou segurança, ajustes finos e manteve alta a expectativa para a defesa do título em 2026.

Presidente da escola, Almir Reis destacou a responsabilidade de voltar à avenida como campeã e afirmou que o trabalho está sendo construído com cautela diante do nível elevado da competição.

— É muito gratificante fechar mais uma vez o ensaio técnico. A gente está trabalhando para fazer uma apresentação à altura do próximo carnaval e, quem sabe, conquistar mais um campeonato. O sarrafo está muito alto, todas as escolas estão muito bem, então todo cuidado é pouco — afirmou.

Segundo Almir, os ensaios seguem cumprindo o papel de ajustes finais, já que, no desfile oficial, não há margem para erros.

— Ensaio técnico é justamente para isso: corrigir, melhorar. No dia do desfile não tem corte, não tem volta. Errou, errou — disse.

O dirigente também comentou a expectativa em torno da estreia dos novos intérpretes após a saída de Neguinho da Beija-Flor, que se despede da escola depois de cinco décadas.

— No início ficamos apreensivos, é natural. Ninguém é substituível, ainda mais depois de 50 anos. Mas os dois meninos estão indo muito bem, a comunidade abraçou, e tenho certeza de que vão fazer um trabalho bonito — declarou.

O enredo deste ano, desenvolvido pelo carnavalesco João Araújo, traz à avenida a história do Bembé do Mercado, manifestação religiosa e cultural surgida há 136 anos no Recôncavo Baiano, e propõe um debate sobre intolerância religiosa e ocupação do espaço público.

— É um enredo muito atual. Quanto mais a intolerância acontece, mais a gente precisa falar sobre isso. O carnaval tem essa responsabilidade social e cultural de ir às entranhas do Brasil buscar histórias que muita gente não conhece — explicou o carnavalesco.

Segundo ele, o BemBé é uma celebração marcada também por dimensão política.

— Um ano depois da abolição, ex-escravizados perceberam que não haveria reparação histórica nenhuma: moradia, educação, direitos. Eles decidiram ocupar as ruas, algo que até então não era permitido. Hoje, essa comunidade ocupa o Sambódromo para cantar o seu samba — afirmou.

A dona de casa Daiane Marcelle chegou à Sapucaí por volta das 20h, direto do trabalho, e aproveitou o ensaio técnico após não conseguir ingresso para o desfile oficial.

Sophia Lyrio/ Agência O GLOBO

Na arquibancada, a empolgação da comunidade se manteve até o fim, apesar da chuva. A dona de casa Daiane Marcelle chegou à Sapucaí por volta das 20h, direto do trabalho, e aproveitou o ensaio técnico após não conseguir ingresso para o desfile oficial.

— Mesmo com chuva, fiquei até o final para ver a escola do meu coração. Tenho certeza de que a Beija-Flor vai ser campeã de novo neste carnaval — disse.

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