Atropelamento de mãe e filho no Rio intensifica debate sobre uso de bicicletas elétricas em SP
Depois do atropelamento que ocorreu no Rio de Janeiro nesta semana, quando um motorista em uma bicicleta elétrica matou uma mulher e seu filho, o embate sobre tais veículos se intensificou em São Paulo. Moradores reclamam sobre a má divisão de espaços públicos, como ciclovias ou mesmo calçadas, entre pedestres, bicicletas e ciclomotores elétricos.
99 desiste de mototáxis em SP e Nunes comemora: 'Entenderam'
Anvisa descarta, por ora, risco à saúde pública após desvio de amostras de vírus na Unicamp
A reportagem da CBN foi até o bairro do Brás, no Centro da cidade, e encontrou um cenário de risco em calçadas e ruas movimentadas. Esses veículos dividem o espaço com pedestres e também circulam na contramão, em meio aos carros. Quem vive a rotina na região, relata o medo.
Carlos Sampaio, que trabalha há sete anos no bairro, diz que a situação piorou justamente com a popularização dos ciclomotores. Segundo ele, os veículos passam em alta velocidade e muitas vezes não respeitam quem está a pé.
"Isso aqui acontece quase todo dia. Você anda aqui pelas calçadas do Brás e é um perigo, porque você vai virar uma esquina e pode se deparar com uma 'motinha' elétrica vindo na contramão ou vindo em qualquer sentido em alta velocidade. E, algumas vezes, os caras ainda vêm carregando um rolo de tecido atravessado na perna, então aumenta o poder de 'ataque' deles", relata.
✅ Clique aqui para seguir o canal da CBN no WhatsApp
Perigo em frente às escolas
A situação também põe em risco a segurança na porta das escolas. O Vinicius Vieira entrou em contato com CBN e conta que busca e leva os filhos a pé para o colégio, na divisa entre os bairros do Brás e do Pari. Ele conta que as motos elétricas passam em alta velocidade em frente à escola e que tem muito medo de que um acidente aconteça.
"Os próprios pais de alunos vão buscar os seus filhos de bicicleta elétrica ou de motos elétricas, e acabam saindo em alta velocidade pelas calçadas. Eu temo que haja no futuro próximo algum acidente envolvendo as próprias crianças. É importante lembrar que eles não usam capacete", conta.
Apesar das regras mais rígidas, os números mostram dificuldade na fiscalização. De acordo com o último levantamento do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de São Paulo, feito no início do ano, havia somente 556 infrações envolvendo ciclomotores, devido à falta de emplacamento. Na capital, foram 111 casos.
A CBN solicitou um novo balanço e aguarda o Detran. Hoje, o estado de São Paulo tem pouco mais de cinco mil ciclomotores registrados.
