Atrasos, calor e má estrutura: nova gestão das barcas faz um ano sob reclamações de passageiros

 

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No último mês, o Consórcio Barcas Rio completou um ano à frente da gestão do transporte aquaviário que liga o Rio a Niterói e outras cidades, como Paquetá e Cocotá. Apesar da redução tarifária nas linhas Praça Quinze – Arariboia (de R$ 7,70 para R$ 4,70) e Charitas – Praça Quinze (de R$ 21 para R$ 7,70) ter sido celebrada pelos usuários, o cenário atual é marcado por insatisfação. Reclamações sobre atrasos sistemáticos, falhas nas embarcações e falta de climatização adequada nas estações e frotas tornaram-se recorrentes.

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Na última semana, passageiros que utilizam o catamarã de Charitas relataram dificuldades para realizar o embarque, resultando em atrasos tanto na chegada ao trabalho quanto no retorno para casa.

A passageira Mikkaela Aragon relata que a atual frota de embarcações não comporta a demanda de passageiros, especialmente nos horários de pico. Segundo ela, as barcas mais antigas e apertadas são as mais utilizadas, enquanto os modelos modernos e espaçosos circulam com baixa frequência, agravando a superlotação.

— As embarcações apresentam defeitos frequentes, e a frota reduzida sobrecarrega a área de embarque, gerando filas imensas onde nem todos conseguem embarcar. Nesta semana (a passada), o tempo de espera chegou a quase uma hora em um ambiente apertado e sem assentos — conta.

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Atrasos crônicos

O estudante de Direito Lucas Orlando, que utiliza a linha Charitas diariamente, alega que os atrasos são crônicos no trajeto de volta para Niterói, principalmente entre 17h e 19h.

— Houve um dia em que a estimativa de partida ultrapassou uma hora. Semanas atrás, os passageiros precisaram se deslocar até o Centro de Niterói para ir para o Rio, pois era impraticável aguardar em Charitas — afirma.

Usuários que pegam as barcas em Charitas reclamam da gestão do transporte

Filipe Bias

Atualmente, o serviço não opera mais sob o mesmo modelo de concessão anterior, gerido pela CCR Barcas. A responsabilidade pela operação agora cabe ao governo do estado, em uma parceria com o Consórcio Barcas Rio — grupo formado pelas empresas BK Consultoria e Serviços, Internacional Marítima, Sudeste Navegação e Innovia Soluções Inteligentes.

Larissa Bueno, que pega o modal no Centro de Niterói de segunda a quinta para trabalhar no Rio, relata que os atrasos e a imprevisibilidade tornaram-se constantes no serviço desde a mudança na gestão.

— Não existe mais horário certo, as catracas fecham a qualquer hora e os intervalos estão maiores também. Se antes eu levava pouco mais de uma hora para me locomover, hoje eu demoro pelo menos 30 minutos a mais — lamenta.

A ausência de ar-condicionado é outro ponto crítico. Nas estações Araribóia e Praça Quinze, os passageiros contam apenas com ventiladores para enfrentar as altas temperaturas. O calor também é um problema dentro das embarcações, que operam sem refrigeração, mesmo em dias com altas temperaturas.

— Já peguei barca nova sem ar. Como ela é toda fechada, fica extremamente abafado dentro dela — conta Larissa.

A equipe do GLOBO-Niterói também flagrou barcas novas paradas na Estação Araribóia, enquanto embarcações antigas e sem ar-condicionado realizavam o transporte dos passageiros.

Procurado, o Consórcio Barcas Rio não respondeu aos questionamentos do jornal até o fechamento desta reportagem.

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