Atraso no material e comitê esvaziado geram queixas de aliados à campanha de Haddad em São Paulo

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Integrantes de partidos da coligação do candidato do PT ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), têm reclamado nos bastidores do planejamento interno da campanha e do empenho dado até agora aos aliados que concorrem a deputado estadual e federal pelo estado.

As queixas envolvem desde a demora na distribuição de material até a antecedência com que os compromissos têm sido marcados. Além da federação PT, PCdoB e PV, formam a chapa de Haddad PSB, PSOL, Rede e PDT. O mal-estar ocorre num momento adverso para o petista, que amarga desvantagem de 20 pontos para Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador de São Paulo. No levantamento mais recente do Datafolha, Haddad marca 29% das intenções de voto, contra 49% do rival, favorito a vencer já no primeiro turno. Sob reserva, um aliado com trânsito na campanha descreve Haddad como alguém “afastado” das bases, que circula apenas em um núcleo restrito de auxiliares do PT. Ele relata que, pela quarta semana consecutiva, não houve reunião da coordenação geral, na qual representantes de todos os partidos da chapa discutiam os rumos, o que coincide com o início oficial de campanha, em 16 de agosto. Outra reclamação frequente de aliados, mesmo entre parlamentares do PT, é que são chamados com “pouca antecedência”, de dois a três dias, para as ações externas de Haddad — em geral, caminhadas por bairros da capital e municípios do interior. Não haveria um planejamento a médio e longo prazo debatido de maneira ampla. Falta de sintonia A campanha do ex-ministro alegou, em nota, que a mobilização “está a todo vapor, desde agendas na capital e região metropolitana até viagens semanais pelo interior” e que os avisos ocorrem assim que os compromissos são fechados, de forma pública ou pelos dirigentes partidários. “Sobre controvérsias: controvérsia em campanha só existe quando tem campanha. É diferente do opositor, que se encastelou para evitar que sua gestão seja escrutinada”, diz o texto. Um petista de longa data adota tom mais ameno, mas admite que as campanhas “não estão sincronizadas”. O relacionamento com as legendas da coligação tem ficado restrito a esses convites, em que os aliados aparecem se acharem conveniente. Outro aponta que o maior incômodo passa pelo acesso mais restrito em eventos de Lula em São Paulo, o que impediria os candidatos de tirar fotos e gravar vídeos ao lado do presidente, o maior cabo eleitoral da sigla. O diagnóstico depende, de certa forma, do estilo da candidatura. As chapas para deputado geralmente são formadas, de um lado, por nomes com “território”, que dependem mais do corpo a corpo com os eleitores, do direcionamento de recursos e de uma votação expressiva em determinada localidade; e, do outro, por personalidades que apostam no discurso “ideológico”, com pautas nacionalizadas e que ganham pontos ao demonstrar proximidade com os líderes do campo político. No caso do material de campanha, um paralelo é feito com a campanha do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) à Prefeitura de São Paulo, em 2024. A reclamação é que, a essa altura da disputa, há dois anos, os candidatos a vereador já tinham um volume considerável de propaganda distribuída. Um petista aponta que santinhos e banners de Tarcísio já circulam pelas ruas, ao contrário do material de Haddad, prometido para os próximos dias. A Justiça Eleitoral permite aos comitês da eleição majoritária centralizar esse tipo de produção. Para membros do próprio partido ou de sua federação, o material pode ser bancado com fundo eleitoral. Para candidatos de outros partidos da coligação, a orientação de advogados eleitorais é que sejam usadas doações privadas. Por fim, aliados reclamam também do fato de Haddad não ter comparecido, mesmo quando convidado, a eventos de lançamento de candidaturas a deputado estadual e federal que aconteceram depois das convenções partidárias. Alguns contaram com as presenças das ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), candidatas ao Senado. Um membro do PT disse ao GLOBO que ir a um evento, mas não em outro, poderia causar ruído. (Colaborou Juliana Domingos de Lima)

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