Atraídas pelo brilho dourado, mineradoras investem em aumento de produção e busca de novas jazidas - QTU Questões do Universo

Atraídas pelo brilho dourado, mineradoras investem em aumento de produção e busca de novas jazidas

Fonte: Bandeira da fonte

As instabilidades geopolíticas e econômicas dos últimos anos dão impulso a uma nova corrida pelo ouro.
A demanda em alta fez os preços explodirem e, com o caixa recheado, as mineradoras do setor investem em aumento de produção e busca de novas jazidas, traçando perspectivas favoráveis para o segmento.
Dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) refletem a situação.
Depois de fechar 2024 em US$ 2.644,1 por onça, o valor cravou US$ 4.289,48 ao fim de 2025, alta de 62%.
No início deste ano, a commodity registrou alta histórica em torno de US$ 5.600 e seu preço médio ficou em R$ 4.875,39 no primeiro trimestre, 70,3% acima do mesmo período do ano passado.

Depois de representar 13,2% do faturamento do setor mineral em 2025, o ouro alcançou 17% no primeiro trimestre deste ano, com US$ 13,5 bilhões.
O comportamento se repete nas exportações.
No ano passado, o ouro respondeu por 14,3% das vendas externas do setor mineral, com cerca de US$ 6,5 bilhões.
No primeiro trimestre de 2026, chegou a 20,5%, com US$ 2,338 bilhões, 89,3% mais que no mesmo período de 2025.
“O ouro está bombando e estamos vivendo novo ciclo de investimentos”, resume Flávio Alves, líder de mineração e recursos minerais da Accenture no Brasil.
O cenário volátil, que junta desde guerras ao aumento anual da dívida estadunidense, estimula o interesse de grandes investidores e bancos centrais.
Com a alta de preços, tornam-se mais atrativos os projetos existentes e novos investimentos: nas contas do Ibram, os dois tipos devem totalizar US$ 2,4 bilhões no ciclo 2026-2030, 14,7% a mais que no ciclo anterior.
“A produção no Brasil ainda é pífia frente a recursos e reservas identificadas, o potencial de crescimento é enorme”, diz Luiz Albano Tondo, CEO da Jaguar Mining.
Para ele, mesmo com apenas 27% do território nacional mapeado geologicamente em detalhes, a produção poderia duplicar em até três anos só com o que já está identificado.

A Jaguar é um exemplo.
Com produção em torno de 40 mil onças ao ano, é uma das “juniores” do mercado (limitadas a 100 mil onças anuais), mas traçou em 2025 plano de cinco anos de sondagem com investimento anual de até US$ 12 milhões.
A empresa investe US$ 40 milhões em nova mina subterrânea em Onças de Pitangui (MG), onde pode gerar 42 mil onças adicionais.
A perspectiva é superar 100 mil onças ao ano em até cinco anos e se classificar entre as médias do mercado.

Outra representante deste grupo, a Hochschild Mining possui duas unidades no Brasil.
Produziu seu primeiro lingote em Mara Rosa (GO) em 2024 e produziu 28,1 mil onças no primeiro semestre de 2026, a caminho da meta anual de 67 mil a 80 mil onças.
O segundo projeto, Monte do Carmo (TO), adquirido em 2024 por US$ 60 milhões, está em fase final de análise para viabilidade.
Enquanto isso, os investimentos miram aumento de produção, melhorias em transporte, gestão de água e acesso a áreas com minério de maior teor, além de questões ESG.
“Alcançamos 20,7% de mulheres no quadro geral de empregados e 22% dos cargos de liderança em Mara Rosa”, detalha Ediney Drummond, country manager da Hochschild Mining Brasil.
Para Albano Tondo, da Jaguar Mining, a produção brasileira poderia duplicar em até três anos
Divulgação
Na outra ponta, a Kinross, uma das gigantes do mercado (“majors”, com produção anual acima de 500 mil onças), opera em Paracatu (MG) a maior unidade da empresa no mundo e responde por cerca de 22% da produção nacional de ouro.
Em 2025, ultrapassou a marca de 600 mil onças no Brasil, oitavo ano consecutivo acima de 500 mil onças, graças a fatores como aumento dos teores de minério, elevação das taxas de recuperação, melhor aproveitamento do material processado na planta e otimização do planejamento da lavra.

“Consideramos hoje a vida útil da mina para a década de 2030, com estudos para mapear oportunidades de aumentar o prazo”, diz Rodrigo Gomides, presidente da Kinross no Brasil.
Neste ano, um relatório técnico indicou que cerca de 760 mil onças foram adicionadas à janela de produção de 2026 a 2034, em relação a relatório de 2020.

Gomides destaca conquistas na área de inovação, como automação e operação remota.
Isso inclui perfuratrizes autônomas e sistemas de telemetria preditiva, com barragens monitoradas 24 horas por dia graças a radares de alta precisão, dispositivos automatizados para medir a pressão da água no solo e o nível do lençol freático (piezômetros), inclinômetros e sensores de fibra óptica para detectar variações milimétricas em tempo real.
Já a AngloGold Ashanti produziu no ano passado 326 mil onças no Brasil, onde investiu R$ 2 bilhões nos últimos dois anos em modernização de operações, pesquisa mineral, inovação, segurança, eletrificação da frota subterrânea e equipamentos operados remotamente.
Os projetos incluem construção da planta de paste fill (técnica de preenchimento de espaços vazios deixados pela retirada do minério em minas subterrâneas), melhorias na refrigeração subterrânea e sistemas avançados de monitoramento geomecânico.

No campo da inovação, a empresa, única no país totalmente verticalizada e com venda direta para o setor joalheiro, adotou sonda de circulação reversa (RC, método de sondagem e perfuração que usa hastes de parede dupla para injetar ar comprimido pelo espaço externo e recolher amostras de rocha pulverizada pelo tubo interno), scanners geomecânicos tridimensionais, sistema de rastreamento em tempo real (people tracking), monitoramento digital das operações e ventilação inteligente, para reduzir em até 25% o consumo de energia.

“Estamos investindo em sondagem e identificação de novas oportunidades de aproveitamento dos depósitos existentes”, diz Felipe Goes Lima, vice-presidente de serviços técnicos da AngloGold Ashanti.
Um exemplo é a Mina Cuiabá (MG), a mais profunda do Brasil, com cerca de 1.600 metros e indicativos de potencial para aprofundamento maior.

A Lavras do Sul Mineração (LDSM) é exemplo de novo projeto em curso.
Neste caso, em Lavras do Sul (RS), onde a previsão é produzir 100 mil onças por ano a partir de 2029.
A empresa anunciou início de estudos de impacto ambiental, que devem ser concluídos até o fim do ano para possibilitar o processo de licenciamento.
“É um momento crucial de nosso desenvolvimento”, explica Paulo Serpa, country manager da empresa.
Drawn by gold’s luster
Surging demand from investors seeking safe-haven assets amid geopolitical tensions and economic uncertainty has pushed gold prices to record highs, triggering a new wave of investments aimed at expanding production.
The Brazilian Mining Institute (Ibram) estimates the sector will invest $2.4 billion between 2026 and 2030, a 14.7% increase over the previous investment cycle, on both new projects and modernization of existing operations.
Kinross, for example, is conducting studies to extend the life of its Paracatu Mine in the state of Minas Gerais.
This year, a technical report indicated that approximately 760,000 additional troy ounces had been incorporated into the mine’s production outlook for the 2026-2034 period, compared with the company’s 2020 report.
AngloGold Ashanti is also carrying out exploration drilling and evaluating new opportunities in its existing deposits.
One example is the Cuiabá Mine, also in Minas Gerais.
It is the deepest mine in Brazil and shows potential to go further.
The company produced 326,000 troy ounces of gold in Brazil last year and invested R$2 billion over the past two years in modernization, innovation, mineral exploration, the electrification of its underground fleet, and remotely operated equipment.
Among smaller players, Jaguar Mining plans to invest R$12 million annually in exploration drilling until 2031, plus R$40 million for a new underground mine.
The company aims to raise annual production from 40,000 troy ounces to more than 100,000 troy ounces.
“Brazil’s gold production remains very modest compared with its identified resources and reserves.
The growth potential is enormous,” says Luiz Albano Tondo, CEO of Jaguar Mining.
He says the country’s gold production could double within three years based solely on deposits already identified.
Hochschild Mining, which began production in 2024, produced 28,100 troy ounces during the first half of 2026 and aims to reach annual production of up to 80,000 troy ounces.
The company is also advancing a second project, Monte do Carmo, now in the final stage of feasibility analysis.
Lavras do Sul Mineração (LDSM) is also building a new mine in the state of Rio Grande do Sul.
The company expects to begin producing 100,000 troy ounces of gold annually from 2029.