Atrações turísticas da Índia cobram de estrangeiros ingressos até 22 vezes mais caros - QTU Questões do Universo

Atrações turísticas da Índia cobram de estrangeiros ingressos até 22 vezes mais caros

Fonte: Bandeira da fonte

A diferença de preços para a entrada nas principais atrações turísticas da Índia está aumentando; visitantes estrangeiros pagam muitas vezes mais do que os cidadãos locais, num contexto de reajustes nas tarifas impulsionados pela inflação.

É o caso do Taj Mahal, patrimônio mundial da Unesco e uma das principais atrações turísticas do estado de Uttar Pradesh, no norte da Índia.
O icônico mausoléu de mármore branco com cúpula possui uma bilheteria para moradores locais e outra para turistas estrangeiros.

Cidadãos indianos pagam 50 rúpias (50 centavos), enquanto pessoas de países membros da Associação Sul-Asiática para a Cooperação Regional (Saarc) pagam 540 rupias, cerca de 11 vezes mais.
Visitantes de qualquer outra parte do mundo pagam 1.100 rupias — 22 vezes o valor pago pelos cidadãos locais.

Em 1966, a taxa de entrada era de 20 “paise” (ou 0,2 rupia) para todos.
Um cálculo simples mostra que, hoje, cobra-se dos visitantes estrangeiros 5.500 vezes esse valor.
Em contrapartida ao preço mais alto, visitantes não indianos recebem pequenas cortesias, como uma garrafa de água e capas para calçados, além de acesso prioritário.

Esquemas de preços semelhantes são observados em outros locais declarados patrimônio mundial.
Em janeiro, o governo do estado do Rajastão (noroeste) aumentou as taxas de entrada para ruínas, museus e outras atrações pela primeira vez em 11 anos.
No caso do popular Forte Amber, o preço dos ingressos dobrou para 200 rúpias para indianos, enquanto para estrangeiros mais do que triplicou, chegando a 1 mil rupias.

Em Nova Déli, a Tumba de Humayun — considerada a inspiração para o Taj Mahal — cobra agora 600 rupias de estrangeiros, valor 15 vezes superior às 40 rupias cobradas de visitantes indianos.
As Grutas de Ajanta e as Grutas de Ellora, ambas no estado de Maharashtra, adotam a mesma estrutura de preços diferenciados.

Um ex-alto funcionário do Serviço Arqueológico da Índia afirmou que essa diferença de preços não é injusta.
De modo geral, turistas estrangeiros possuem maior poder aquisitivo; segundo a fonte, a diferenciação visa gerar receita adicional proveniente de turistas internacionais, permitindo manter o acesso ao patrimônio cultural a um custo acessível para a população local.
O Produto Interno Bruto (PIB) per capita da Índia é de aproximadamente US$ 2.800 — cerca de um décimo do registrado no Japão —, apesar de os dois países apresentarem PIBs semelhantes em nível nacional.

Um anúncio feito pelo Ministério da Cultura em 2016 explicava que as taxas mais altas cobradas de turistas estrangeiros seriam utilizadas para financiar melhores instalações, incluindo conectividade wi-fi.

No entanto, alguns cidadãos indianos consideram esse sistema de dois níveis humilhante, argumentando que se sentem como cidadãos de segunda classe em seu próprio país.