Ator de 'Pico dos Marins' conta que moradores acreditavam que escoteiro sumido estava vivo
Em 1985, o desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio Simon, então com 15 anos, durante uma expedição ao Pico dos Marins, em Piquete, no interior de São Paulo, tornou-se um dos casos mais enigmáticos do Brasil.
Quarenta anos depois, a história ganhou uma nova dimensão com a série Pico dos Marins: O Caso do Escoteiro Marco Aurélio, disponível no Globoplay, e que tem o ator Guilherme Rodio no elenco, no papel de Juan, chefe dos escoteiros.
"Criar um personagem real, em uma situação tão delicada, foi uma experiência de muita responsabilidade que mostra que a arte tem uma função social muito importante.
Eu acredito que pode ajudar a mudar o desfecho de um caso tão emblemático da história recente do Brasil", afirma o ator à Quem.
Durante as filmagens, Guilherme também teve contato próximo com moradores de Piquete, que participaram da produção de diferentes maneiras.
Foi a partir dessas conversas que ele conheceu relatos que ajudaram a alimentar ainda mais a atmosfera de mistério em torno do desaparecimento.
"Convivi com moradores de Piquete que nos ajudaram, seja na produção, no transporte ou na figuração.
Uma coisa que me marcou foi a aura de mistério que existe em torno da montanha para eles, e que deu força durante anos às teorias de abdução por extraterrestres", conta.
Segundo o ator, alguns moradores diziam ter presenciado acontecimentos que consideravam inexplicáveis.
"Um dos motoristas já tinha visto luzes fortes e misteriosas entre as árvores, uma guia de montanha já tinha visto objetos se moverem rapidamente pelo céu, um figurante contou já ter ouvido gritos e ruídos agudos vindo da mata perto da base dos Marins", relata.
Apesar de se definir como uma pessoa incrédula, Guilherme admite que a atmosfera do local despertou nele uma sensação diferente durante o período de gravações.
"Eu que sou bastante cético confesso que senti esse clima misterioso durante aqueles dias", revela.
Entre os relatos que mais chamaram sua atenção estão os de pessoas que acreditavam que Marco Aurélio poderia ainda estar vivo.
"Algumas pessoas também acreditavam realmente que o escoteiro ainda está vivo.
Um dos motoristas contou uma história de que ali perto, em uma cidade vizinha, havia um homem eremita que morava sozinho no meio da mata e que ele dizia com convicção que era ele", conta.
Marco Aurélio sumiu em 8 de junho de 1985, durante uma expedição ao pico de mais de 2.400 metros de altitude com seu grupo de escoteiros.
Na ocasião, afastou-se dos demais a fim de tentar buscar ajuda para um colega ferido e nunca mais foi visto.
Nenhuma pista concreta sobre seu paradeiro foi encontrada desde então.
Guilherme Rodio
Divulgação
Caso real
Marco Aurélio Simon sumiu em 8 de junho de 1985, durante uma expedição ao Pico dos Marins com um grupo de escoteiros.
Na ocasião, o jovem se afastou dos demais para tentar buscar ajuda para um colega ferido e nunca mais foi visto.
Nenhuma pista concreta sobre seu paradeiro foi encontrada desde então.
Ao longo desses 40 anos, surgiram diversas teorias e supostas pistas, mas nenhuma levou a uma resposta definitiva.
Ainda assim, Ivo Simon, pai de Marco Aurélio, mantém viva a esperança de reencontrar o filho.
"Eu acredito, porque eu, como jornalista, trabalho e penso em fatos concretos.
Ora, se eu não tenho um fato concreto de que ele morreu, por que eu vou acreditar que ele morreu? Tem 50% de possibilidades de ele estar vivo.
Eu me apego nesses 50%", afirmou, em entrevista ao g1, em 2024.
Guilherme Rodio
Divulgação
Guilherme Rodio
Divulgação
