Ato do Dia da Mulher em São Paulo tem confusão e spray de pimenta após provocações
Uma manifestação pelo Dia Internacional da Mulher registrou confusão neste domingo (08) na Avenida Paulista, em São Paulo.
Segundo relatos no local, alguns homens provocaram participantes do ato com ofensas direcionadas às mulheres, o que gerou discussão e início de tumulto. Alguns deles carregavam imagens do ex-presidente Jair Bolsonaro e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Ato do Dia da Mulher em São Paulo tem confusão (Vídeo: Karen Lemos/CBN)
A Guarda Civil Metropolitana foi acionada e utilizou spray de pimenta para dispersar o grupo. Apesar do episódio, a marcha seguiu pela região central da cidade.
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A manifestação
O protesto reuniu movimentos sociais, coletivos feministas, partidos e sindicatos, que caminharam pela Avenida Paulista em direção à Praça Roosevelt. A mobilização teve como principais pautas o combate à violência de gênero, a defesa da vida das mulheres e a igualdade no mercado de trabalho.
Mesmo com chuva forte na região central da capital paulista, manifestantes permaneceram no ato, muitos usando capas de chuva e guarda-chuvas. O evento contou com carro de som e discursos de participantes e representantes de movimentos sociais.
Ato do Dia da Mulher em São Paulo
Karen Lemos/CBN
Durante a manifestação, algumas mulheres relataram histórias pessoais para reforçar a importância da mobilização. A professora Carolina Lelis, de 34 anos, contou que já foi vítima de violência doméstica e decidiu participar do ato para incentivar outras mulheres a buscar apoio.
“Eu consegui sair dessa violência por conta da minha filha, que tem síndrome de Down. Hoje eu tento ajudar outras pessoas, conversando e estando presente aqui”, afirmou.
Segundo ela, muitas vítimas ainda não sabem onde buscar ajuda. “Todos os dias a gente vê mulheres sofrendo e que gostariam de falar, mas não sabem a quem procurar. Isso é muito triste”, disse.
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Feminicídios em alta
Dados apresentados durante o ato reforçam a preocupação com a violência contra mulheres no país. Segundo o estudo “Retrato dos Feminicídios no Brasil”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mais de 1,5 mil feminicídios foram registrados no Brasil no ano passado, o maior número da série histórica.
Desde 2015, quando a lei que tipifica o feminicídio foi sancionada, o país já registrou cerca de 14 mil casos. Para a aposentada Mônica Silva, de 61 anos, os números mostram um retrocesso na luta contra a violência de gênero.
“A gente ter que batalhar para que as mulheres sobrevivam é ridículo. Parece que voltamos séculos atrás”, afirmou.
Pela legislação brasileira, feminicídio é o assassinato de uma mulher motivado por sua condição de gênero, com pena que pode variar de 20 a 40 anos de prisão.
