Ato bolsonarista na Avenida Paulista reuniu 20,4 mil pessoas, diz pesquisa da USP

 

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O ato bolsonarista realizado na Avenida Paulista, na tarde deste domingo, contou com 20,4 mil pessoas, conforme estimativa do Monitor do Debate Político, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) — coordenado por Pablo Ortellado e Márcio Moretto, da Universidade de São Paulo (USP)—, em parceria com a ONG More in Common. Dentre as manifestações já contabilizadas pelo grupo de pesquisa no mesmo local, esta contou com o segundo pior público, posto anteriormente ocupado por um ato realizado em agosto de 2025 (37,6 mil pessoas).

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Intitulado "Acorda Brasil", o ato foi convocado nacionalmente pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que compareceu nos protestos de Belo Horizonte e também da capital paulista. Considerando a margem de erro de 12%, que representa uma diferença de 2,4 mil pessoas para mais ou para menos, o ato pode ter recebido entre 18 mil e 22,9 mil participantes no seu horário de pico, às 15h53.

A última manifestação bolsonarista em São Paulo havia ocorrido em setembro do ano passado, no Dia da Independência (7), e contou com 42,2 mil pessoas, segundo a mesma estimativa. O ato em questão ocorreu em meio ao julgamento da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF), que culminou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

Já o menor número foi registrado em junho de 2025, em um ato convocado pelo pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Mesmo com a presença de Bolsonaro, que ainda não cumpria as medidas cautelares impostas pelo STF antes de sua prisão ser decretada, a manifestação reuniu 12,4 mil pessoas.

A contagem feita pelo grupo de pesquisa ocorreu a partir de cinco fotos aéreas, tiradas em horários distintos e analisadas com software de inteligência artificial. No cálculo, é usado o método Point to Point Network (P2PNet), em que um drone tira fotos aéreas e o software analisa as imagens para identificar e marcar automaticamente as cabeças das pessoas, processo que possui precisão de 72,9% e uma acurácia de 69,5% na identificação de cada indivíduo.

Outro ato realizado neste domingo, na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, contou com 4,7 mil pessoas, de acordo com a mesma pesquisa da USP. Foi o menor protesto bolsonarista no Rio já registrada pelo estudo, superando o recorde anterior de 18,3 mil manifestantes em um ato realizado março do ano passado.

Últimas manifestações bolsonaristas em São Paulo*

1° de março de 2026: 20,4 mil pessoas.

7 de setembro de 2025: 42,2 mil pessoas.

3 de agosto de 2025: 37,6 mil pessoas.

29 de junho de 2025: 12,4 mil pessoas.

6 de abril de 2025: 44,9 mil pessoas.

7 de setembro de 2024: 45,9 mil pessoas.

*Todos os dados foram levantados com a mesma metodologia pelo grupo Monitor do debate político.

Participação de Flávio Bolsonaro

O protesto deste domingo foi o primeiro ato bolsonarista na Paulista desde que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi definido pré-candidato à presidência da República com o aval do pai. Além dele, também estiveram presentes nomes como o pastor Silas Malafaia, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e os governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, e Romeu Zema, de Minas Gerais. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) não compareceu pois viajou para a Alemanha para cumprir agendas na área de tecnologia.

Último a falar do alto do caminhão de som, Flávio Bolsonaro pediu a derrubada do voto do PL da Dosimetria, fez fortes críticas a Lula e falou do STF de maneira genérica, sem nomear ministros.

— Todos nós somos favoráveis ao impeachment de qualquer ministro do STF que descumpra a lei. Isso só não acontece hoje porque ainda não temos a maioria no Senado, mas o povo brasileiro vai ter a oportunidade, nesse ano, de escolher candidatos que se comprometam com o resgate da nossa democracia. O nosso alvo nunca foi o Supremo, nos sempre dissemos que o Supremo é fundamental para a democracia. Mas estão destruindo a democracia, a pretexto de defendê-la, para atingir Jair Bolsonaro – discursou o senador.