Atleta ucraniano é autorizado a usar braçadeira preta após veto a capacete com homenagem a mortos na guerra
O Comitê Olímpico Internacional (COI) autorizou nesta terça-feira o porta-bandeira da Ucrânia nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina a usar uma braçadeira preta, depois de tê-lo impedido de levar um capacete que mostrava fotos de atletas de seu país mortos durante a invasão russa.
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“Consideramos que é um bom compromisso”, explicou à imprensa Mark Adams, porta-voz do COI, lembrando que a organização proíbe qualquer expressão política durante as competições olímpicas ou as cerimônias.
Na noite desta segunda-feira, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, justificou o capacete usado pelo atleta Vladyslav Heraskevych, que participou de uma sessão de treinamento de skeleton em Cortina D'Ampezzo com um capacete cinza com imagens serigrafadas de seus compatriotas que partiram durante a guerra.
"Essa decisão parte o meu coração. Sinto que o Comitê Olímpico Internacional (COI) está traindo os atletas que fizeram parte do movimento olímpico ao não permitir que eles sejam homenageados onde nunca mais poderão competir", escreveu o chefe de Estado da Ucrânia no Instagram.
Além disso, Zelensky exaltou a iniciativa de Heraskevych.
"Seu capacete tem os retratos de nossos atletas mortos pela Rússia. O patinador artístico Dmytro Sharpar, caído em combate perto de Bakhmut; Yevhen Malyshev, biatleta de 19 anos, morto pelos ocupantes perto de Kharkiv; e outros atletas ucranianos cujas vidas foram ceifadas pela guerra travada pela Rússia", ressaltou Zelensky no Telegram.
Segundo o presidente ucraniano, Heraskevych "lembrou para o mundo o preço de nossa luta. Esta verdade não pode ser considerada vergonhosa, inapropriada nem ser classificada como uma 'manifestação política em um evento esportivo'".
Citando precedentes "nos quais o COI autorizou homenagens do tipo", Heraskevych anunciou que vai recorrer da decisão. "Estamos preparando uma apelação formal perante o COI e vamos lutar para poder competir com este capacete", frisou.
