Ativistas são condenados à prisão por vigílias em memória das vítimas do Massacre da Praça da Paz Celestial, na China

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Três ativistas pró-democracia de Hong Kong que organizavam vigílias anuais em memória das vítimas da repressão da Praça da Paz Celestial (Tiananmen), na China, foram condenados nesta sexta-feira a penas de cinco a sete anos e três meses de prisão. O julgamento e as sentenças foram criticados por Taiwan e organizações como Human Rights Watch e Anistia Internacional. Quer mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países Lee Cheuk-yan, de 69 anos, recebeu pena de sete anos de prisão, enquanto Chow Hang-tung, de 41, foi condenada a sete anos e três meses. Albert Ho, de 74, que se declarou culpado, recebeu pena de cinco anos e dois meses. Os três estavam detidos desde que foram acusados, em 2021. Os ativistas foram considerados culpados em agosto passado por um tribunal de Hong Kong pelo crime de "incitação à subversão". Eles eram líderes da Aliança de Hong Kong, grupo que já foi dissolvido e que organizava vigílias anuais no Parque Victoria, no centro financeiro asiático. Bandeiras nacionais chinesas tremulam na Praça da Paz Celestial junto com outras bandeiras vermelhas em Pequim Qilai Shen/Bloomberg Em 4 de junho de 1989, Pequim enviou tropas e tanques para reprimir os protestos que exigiam reformas políticas na Praça da Paz Celestial, em Pequim. Hong Kong e Macau eram, até então, os únicos territórios chineses que permitiam eventos públicos para lembrar as vítimas da repressão. As vigílias deixaram de ser permitidas de fato em Hong Kong depois que o governo chinês impôs, em 2020, uma lei de segurança nacional, após as grandes manifestações pró-democracia que abalaram a cidade no ano anterior. Condenação por apelo contra partido único Em agosto, o tribunal concluiu que os três haviam violado a Constituição chinesa ao fazer um apelo para "acabar com a ditadura de partido único". Na sentença divulgada nesta sexta-feira, o juiz afirmou que, embora não tenham ocorrido atos de violência e os acusados não tenham apresentado um cronograma preciso para acabar com a "ditadura de partido único", suas ações continuavam sendo "de considerável gravidade". Policiais chineses montam guarda antes do desfile militar em comemoração ao 80º aniversário da vitória sobre o Japão na Segunda Guerra Mundial, na Praça da Paz Celestial, em Pequim Jade Gao / AFP Chow levantou os braços e acenou para as pessoas que haviam ido apoiá-la enquanto era escoltada para fora do tribunal. Lee fez o sinal da cruz, sorriu e cumprimentou seus apoiadores. Antes da divulgação das sentenças, Chow afirmou que "as verdadeiras intenções das autoridades finalmente haviam sido reveladas". "Esses processos são uma tentativa de apagar a memória, em particular a de 4 de junho, ao atribuir importância excessiva a certos slogans", afirmou. Críticas internacionais Taiwan, ilha de regime democrático cuja soberania é reivindicada por Pequim, condenou as "severas sentenças" impostas aos ativistas. A Justiça "inventou acusações e realizou julgamentos políticos em nome da segurança nacional para proteger um regime autoritário", afirmou em um comunicado o órgão taiwanês responsável pelos assuntos relacionados à China. Para Elaine Pearson, diretora para a Ásia da Human Rights Watch, as "penas severas" evidenciam "a crueldade e a insegurança de um governo que teme a memória e o povo". "Essas condenações constituem uma tripla tragédia: para os ativistas injustamente punidos, para os sobreviventes e as vítimas da repressão da Praça da Paz Celestial e para as gerações de habitantes de Hong Kong privados da possibilidade de debater sobre um dos acontecimentos mais marcantes da história contemporânea da China", lamentou a Anistia Internacional. Segundo uma contagem realizada no início de agosto, as autoridades de Hong Kong haviam detido 415 pessoas por diversos motivos relacionados à segurança nacional, das quais 185 foram consideradas culpadas. Estátua dedicada às vítimas A Aliança de Hong Kong também administrava um museu sobre os acontecimentos da Praça da Paz Celestial e organizava a limpeza anual do "Pilar da Vergonha", uma escultura dedicada às vítimas da repressão. A obra foi desmontada em 2021. A promotoria solicitou o confisco da estátua e dos arquivos do museu. O juiz Alex Lee afirmou nesta sexta-feira que o destino da obra será decidido depois que a questão sobre sua propriedade for resolvida. O autor da escultura, o dinamarquês Jens Galschiot, classificou como "escandalosos" o resultado do julgamento e o possível confisco de sua obra. Se ela fosse destruída, isso equivaleria a "destruir a história que todos deveriam conhecer", afirmou à AFP.

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