Ativistas acusam Israel de estupro e agressão enquanto detidos

Ativistas acusam Israel de estupro e agressão enquanto detidos

 

Fonte: Bandeira



Ativistas de uma flotilha humanitária com destino a Gaza afirmaram ter sido alvo de agressões, humilhações e violência sexual sob custódia israelense, em um episódio que reacendeu críticas internacionais ao tratamento dado a detidos palestinos e a apoiadores da causa palestina. As denúncias surgiram após a interceptação das embarcações e a deportação de parte dos participantes por Israel.

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Segundo relatos divulgados pela CNN e pela BBC, integrantes da flotilha disseram ter sofrido espancamentos, ameaças e maus-tratos durante o período de detenção em Israel. A organização responsável pela iniciativa, a Global Sumud Flotilla, afirmou que ao menos 15 pessoas relataram violência sexual, inclusive estupro. Algumas pessoas tiveram os ossos fraturados, de acordo com os organizadores da Global Sumud. A flotilha de 37 embarcações levava 430 pessoas, de 40 nacionalidades e foi interceptada por forças de Israel no dia 18.

O governo de Israel nega qualquer abuso e afirma que os presos receberam tratamento adequado. Mas o governo do Canadá disse que recebeu informações detalhadas sobre “terríveis abusos” de seus cidadãos, segundo a BBC. A ministra das Relações Exteriores canadense, Anita Anand declarou que “o Canadá condena de forma inequívoca o grave maltrato infligido a canadenses em Israel. Os responsáveis por esse abuso abominável devem ser responsabilizados.”

Alemanha e Espanha confirmaram que um grupo de seus cidadãos sofreu ferimentos. As acusações ainda não foram verificadas de forma independente, mas tiveram repercussão internacional política e humanitária.

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AFP

A flotilha tinha como objetivo levar ajuda simbólica a Gaza, em meio à guerra e ao agravamento da crise humanitária no território. A interceptação das embarcações por forças israelenses transformou a ação em um novo foco de tensão diplomática, com organizações de direitos humanos e governos estrangeiros pedindo esclarecimentos sobre as condições de custódia e a condução dos detidos.

Jornalista sofreu agressões na prisão

O caso ganhou ainda mais peso ao ser relacionado a outro relato recente. Trata-se do drama do jornalista palestino Ali al-Samoudi, que passou um ano preso em Israel sem acusação formal, segundo reportagem da CNN. Ele descreveu condições extremamente duras na prisão e afirmou ter vivido violência física e psicológica durante a detenção. A história de Samoudi reforça as preocupações sobre o uso da prisão administrativa contra palestinos, inclusive jornalistas.

Os casos expõem a dimensão humana e política do conflito, que se estende para além do campo de batalha e alcança a liberdade de imprensa, a proteção de civis e o cumprimento de normas internacionais de tratamento a detidos. As denúncias envolvendo a flotilha e o testemunho do jornalista ampliam a pressão sobre Israel num momento de forte escrutínio internacional sobre violência contra civis e violações de guerra.