Atendeu e ninguém falou nada? A verdade por trás das ligações silenciosas
Criminosos estão usando a tecnologia para coletar áudio e clonar a voz da vítima no chamado Golpe do Silêncio, ou "Silent Call Scam", em inglês. A fraude consiste em fazer chamadas silenciosas para captar amostras de áudio e, depois, usá-las em aplicativos e ferramentas de inteligência artificial capazes de realizar a clonagem de voz. Em seguida, os golpistas utilizam esses áudios fictícios para disseminar outros golpes, como pedidos de dinheiro, senhas e dados pessoais para os contatos próximos à vítima, que muitas vezes acontecem pelo WhatsApp. O TechTudo conversou com Adrianus Warmenhoven, especialista em cibersegurança da NordVPN, para saber mais sobre o golpe e como agir nas situações.
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Golpe do Silêncio: entenda detalhes da fraude e veja como se proteger
TechTudo
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O que é e como funciona o Golpe do Silêncio?
Como o próprio nome diz, Golpe do Silêncio é uma técnica na qual os criminosos ligam para as vítimas, mas não falam nada. Em vez de investir em conversas falsas visando enganar as pessoas, essa fraude prega exatamente o contrário: o golpista liga, fica em silêncio e espera a vítima falar primeiro. Em um primeiro momento, a ligação pode apenas parecer estranha ou até mesmo uma tentativa de telemarketing mal executada. Contudo, esse é o diferencial do golpe — coletar pequenos trechos de áudio para fazer clonagem de voz.
Segundo Adrianus Warmenhoven, especialista em cibersegurança da NordVPN, a ameaça não está apenas no final do golpe, mas também no que acontece antes dele, com a criação de áudios fraudulentos.“Uma tecnologia barata e eficiente de clonagem de voz já consegue criar imitações muito convincentes”, diz o especialista.
Golpe do Silêncio: criminosos ligam para as vítimas, mas não falam nada e coletam áudio
Ana Marques/TechTudo
Por que o silêncio virou uma armadilha?
O Golpe do Silêncio se aproveita de um hábito comum das pessoas: atender a ligação e automaticamente dizer “alô”. Quando a vítima nota que o outro lado da linha não responde, pode, eventualmente, insistir no contato, seja por irritação, curiosidade ou até para “pegar o golpista no flagrante”, caso desconfie que se trata de um golpe. No entanto, essa reação contribui para entregar mais material para os criminosos clonarem a voz. Afinal, somente um “alô” tende a não ser suficiente para fazer todo o processo, mas é útil para iniciar a coleta.
Em entrevista ao TechTudo, Warmenhoven explica que, para o criminoso, o Golpe do Silêncio é mais fácil do que um golpe tradicional. "Em um golpe tradicional, o criminoso precisa conversar com a vítima, persuadi-la e manipular suas emoções para ganhar sua confiança e levá-la a agir. Isso exige habilidade do criminoso, mas também apresenta o risco de a vítima suspeitar ou desligar o telefone antes que o golpe seja bem-sucedido", afirma.
Geralmente, as ferramentas precisam de cerca de 10 a 20 segundos de áudio claro para fazer uma imitação convincente. Após coletar o material necessário, os golpistas ainda podem combiná-lo com outros trechos da voz da vítima encontrados em redes sociais, vídeos, entrevistas, áudios em aplicativos e gravações do dia a dia. Mesmo quando a vítima percebe que é um golpe, não significa que ela está segura, principalmente se a chamada estiver sendo gravada, pois o golpista pode usar o áudio depois, em um ataque direcionado contra os contatos da pessoa.
"No caso do Golpe do Silêncio, as coisas são muito mais fáceis para o criminoso. Ele simplesmente precisa gravar uma amostra da voz da vítima, às vezes com apenas alguns segundos de duração, e então usar a tecnologia avançada de inteligência artificial para criar um clone da voz da vítima. Isso permite que ele execute o golpe posteriormente, se passando pela vítima na frente de seus amigos, familiares ou colegas", explica o especialista.
Ligações silenciosas viraram uma armadilha para as vítimas
Mariana Saguias/TechTudo
Segunda parte da fraude
Após a coleta do áudio e a clonagem da voz de uma maneira convincente, os criminosos vão para a segunda fase do golpe. Eles usam o áudio falso para ameaçar contatos de confiança da vítima e fazer pedidos com urgência e histórias que geram pressão emocional, como acidentes, problemas com a polícia, emergências financeiras, situações sensíveis e pedidos de transferência de dinheiro imediata. Nesta fase, a fraude busca atacar pais ou responsáveis, além de pessoas mais velhas, que, na visão dos golpistas, terão reações rápidas para “resolver o problema” sem checar detalhes.
"Para proteger os alvos, é importante conscientizá-los de que, mesmo que a voz do interlocutor seja semelhante à de um membro da família, isso não garante a autenticidade. Uma abordagem eficaz é estabelecer uma palavra-código ou frase secreta da família que apenas membros de confiança conheçam. Se uma chamada parecer urgente ou incomum, devem pedir a palavra-código para confirmar a identidade de quem está ligando", sugere Adrianus Warmenhoven.
Ele também explica que os alvos podem verificar pedidos incomuns usando outros meios de comunicação, como mensagens ou ligação para a pessoa em um número seguro. "Combinando essas medidas, idosos e pais podem lidar com chamadas inesperadas ou emocionalmente impactantes com cautela e evitar serem vítimas de golpes que exploram sua confiança", conclui.
IA pode ser utilizada para clonar vozes e enganar vítimas
Reprodução/Anderton Cardoso/PC-AM
O que prestar atenção ao atender o telefone?
A primeira medida para quem deseja continuar atendendo chamadas com mais segurança é deixar o outro lado falar primeiro. Caso a chamada seja silenciosa, é um forte indício para finalizar a interação. Contudo, se for necessário responder, procure usar uma frase neutra e sem emoção para não entregar um “modelo” fácil da sua voz.
"Se alguém suspeitar que criminosos possam ter gravado sua voz, deve ficar atento a tentativas subsequentes por outros canais, como ligações ou mensagens que pareçam vir de contatos familiares. É importante alertar familiares, amigos ou colegas de trabalho de que um golpista pode tentar se passar por eles usando uma voz clonada. (...) A verificação rápida pode impedir que os golpistas intensifiquem o ataque e o espalhem para outras pessoas", finaliza Warmenhoven.
A seguir, confira uma lista com medidas preventivas contra golpes com clonagem de voz:
Deixe o chamador falar primeiro: evite começar a ligação com “alô” e não dê amostras desnecessárias da sua voz.
Prefira respostas neutras: se precisar responder, diga algo neutro como “Quem fala?”, que é menos expressivo e menos “padrão”, portanto, tende a ser menos útil como amostra.
Desligue imediatamente se a ligação parecer suspeita: a dica é válida principalmente se houver pedido de dinheiro, dados pessoais, senhas, códigos ou qualquer “urgência” incomum.
Não prolongue a conversa: quanto mais a vítima fala, mais material ela fornece para os criminosos e melhor pode ficar a clonagem.
Verifique antes de agir: se uma pessoa próxima pedir algo estranho, desligue e retorne pelo número conhecido ou canal seguro, como app de mensagens.
Cuidado com publicações em redes sociais: vídeos e áudios públicos viram um dos maiores bancos de amostras de voz para criminosos.
Reporte números e ligações suspeitas: sinalize a operadora e, quando possível, as autoridades, pois isso pode auxiliar a mapear redes de golpe.
Crie um “passo de verificação” em casa: para aumentar a segurança, se surgir um pedido urgente por telefone, a família concorda em confirmar por mensagem ou retornar à ligação para um número já salvo, o que pode evitar perdas financeiras e vazamentos de dados.
Com informações de NordVPN
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