Ataques entre Irã e Israel mostram como a guerra agora também é na Internet
Ataques militares voltaram a elevar a tensão entre Irã e Israel, mas o conflito ganhou um capítulo que aparece longe de mísseis e radares: a Internet. No sábado (28), usuários do BadeSaba Calendar, aplicativo popular para horários de oração no Irã, receberam notificações com mensagens políticas. Quase ao mesmo tempo, medições de tráfego emitiram a queda drástica na conectividade do país, com sinais de apagão digital. Para entender como esses episódios se encaixam no conceito de guerra cibernética e quais podem ser os impactos globais, o TechTudo ouviu Igor Moura, COO da Under Protection, empresa de cibersegurança que atua no mercado brasileiro há mais de 20 anos.
🔎 4 formas de hackear suas mensagens do WhatsApp — e o que fazer para se proteger
📲 Canal do TechTudo no WhatsApp: acompanhe as principais notícias, tutoriais e reviews
Ataques coordenados por hackers podem sobrecarregar sistemas até torná-los inacessíveis para usuários legítimos
Reprodução/Freepik
📝 O que fazer quando WhatsApp está fora do ar? Veja no fórum do TechTudo
Ataque que chega como notificação
O que chamou atenção no caso do BadeSaba Calendar foi o formato do ataque. Em vez de um site sair do ar, usuários receberam mensagens diretamente na tela de notificações do celular. Relatos publicados na imprensa internacional indicam que os alertas foram disparados em sequência, durante a manhã de sábado (28). Nenhum grupo assumiu oficialmente a autoria até agora.
Para Igor Moura, esse tipo de ação vai além de causar instabilidade técnica.
“A resposta não é binária. Os grupos estatais atacam com agentes do Estado, alimentam também uma guerra ideológica que pode mobilizar grupos de hacktivismo e contratar hackers de aluguel, os proxies”, afirmou ao TechTudo.
Ele conta que o objetivo pode ser, para influenciar o comportamento, gerar insegurança e afetar a circulação de informação em um momento já delicado.
Notificações estranhas e fora do padrão podem revelar a atuação de hackers explorando apps para espalhar mensagens
Reprodução/Freepik
Além do episódio do aplicativo, serviços de monitoramento mostraram uma grande queda na conectividade do Irã. Cenários como este podem causar um grande impacto além do “estar sem rede”, até porque iria prejudicar a comunicação, o acesso às notícias, serviços digitais e principalmente afetaria pagamentos, transportes e sistemas corporativos.
A redução de conectividade ainda dificulta a checagem de fatos em tempo real, o que deixa espaço para boatos e desinformação.
O que é “guerra cibernética” e por que não é só invasão?
Ao contrário da ideia de invasões cinematográficas, guerra cibernética envolve várias ações digitais coordenadas para obter vantagem estratégica. Isso pode incluir:
derrubar serviços;
espionagem;
sabotagem;
vazamentos de dados;
operações de influência.
Para Igor Moura, Estados podem atuar diretamente ou se beneficiar de grupos paralelos que agem por alinhamento ideológico ou contratação. Ele ainda aponta que há grupos de ransomware tolerados por alguns governos, desde que não ataquem alvos domésticos. “São os novos corsários.”
Sites e infraestrutura digital se tornam campos de batalha na guerra cibernética
Getty Images
DDoS, invasões e vazamentos: o básico, sem complicar
Em conflitos digitais, o especialista Igor Moura nos explicou que existem três termos que sempre surgem. Eles parecem técnicos, mas dá para entender com exemplos simples:
DDoS (negação de serviço): É quando atacantes utilizam um grande volume de acessos falsos para sobrecarregar um sistema até ele parar de responder. “Imagine máquinas espalhadas pelo mundo solicitando ao mesmo tempo a mesma busca em um site. Os recursos atingem o limite e o serviço fica indisponível”, explica Moura.
Invasões: Ocorrem quando há acesso indevido a sistemas. Isso pode permitir roubo, alteração ou destruição de dados. “Os caminhos são inúmeros: credenciais vazadas, malware, exploração de falhas ou vulnerabilidades desconhecidas, chamadas de zero day”, afirma.
Vazamentos: Quando dados são extraídos e expostos. Em contexto geopolítico, podem ser usados como pressão psicológica ou instrumento de propaganda.
🔎 Brasil foi alvo de 314 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos em 2025
Há risco para o Brasil? Pode ser indireto, mas existe
Segundo Igor Moura, o Brasil já é alvo frequente de ataques de ransomware, que podem servir para financiar operações maiores. “Caso um desses proxies ou grupos hacktivistas seja brasileiro ou fique no Brasil, o país atacado pode retaliar. Os motivos de um ataque nem sempre são claros”, afirmou.
Ele defende que o país invista não apenas em ferramentas de segurança, mas também em domínio tecnológico e formação de profissionais preparados.
“O fortalecimento de tecnologias nacionais de ponta, como IA e computação quântica, não pode ser esquecido, assim como a higiene cibernética básica nas corporações.”, comenta o especialista.
O mundo digital deixou de ser apenas espaço de conexão e passou a integrar a dinâmica geopolítica global
Reprodução/Pixabay
Como se proteger quando o assunto é guerra digital
Em cenários de tensão global, não é caso de paranoia, mas é um bom momento para reforçar o básico que evita virar alvo fácil:
Desconfie de links e mensagens “urgentes” sobre o conflito;
Mantenha o sistema e os aplicativos atualizados;
Ative autenticação em dois fatores nas contas principais;
Faça backup do celular e do computador;
Evite instalar apps fora das lojas oficiais.
Com informações de Wired Middle East e Security Affairs
Mais do TechTudo
Selecionar uma imagem
🎥Veja também: 'Caí no golpe do Pix, e agora?' Veja o que fazer e como recuperar
'Caí no golpe do Pix, e agora?' Veja o que fazer e como recuperar
