Ataques dos EUA e Israel contra o Irã praticamente encerram negociações diplomáticas, diz especialista

 

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Os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã praticamente encerram as negociações diplomáticas que estavam em andamento entre os países, avalia o professor associado do Instituto de Relações Internacionais da USP, Kai Enno-Lehmann, em entrevista ao Mundo em Meia Hora.

Segundo o especialista, a menção explícita à mudança de regime indica que o diálogo pode ter sido utilizado apenas enquanto se preparava a ofensiva militar.

"Eu estou suspeitando que essas negociações que supostamente estavam indo lá relativamente bem foram conduzidas justamente para dar efetivamente uma cortina de fumaça para terminar as preparações para aquilo que a gente está vendo hoje. Então, eu não vejo perspectiva para mais negociações daqui para frente agora, não."

O professor afirma que o risco de expansão do conflito é alto, já que o Irã tende a retaliar atingindo bases americanas em países vizinhos, estratégia que busca demonstrar força interna sem confrontar diretamente o território dos Estados Unidos ou o sistema de defesa israelense.

Na avaliação dele, embora o regime iraniano esteja mais fragilizado do que em anos anteriores, sua queda não é garantida, devido à solidez das estruturas políticas e militares do país.

"Se mudança de regime realmente seja o principal objetivo dessa operação, eu, pessoalmente, não conheço um caso de uma mudança de regime sem tropas no país onde o regime vai mudar. Então, eu não conheço uma mudança de regime através de ataques aéreos. Os Estados Unidos e Israel estariam preparados a colocar soldados no Irã? Aí, eu acho que o cenário muda novamente."

Kai Enno-Lehmann também destaca que o cenário futuro depende da reação interna no Irã e da eventual disposição dos aliados em ampliar o conflito, o que mantém a região sob forte incerteza.

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