Ataques dos EUA contra o Irã também fazem parte de uma estratégia política interna de Trump, diz jornalista
Os ataques dos Estados Unidos contra o Irã têm impacto militar, mas também fazem parte de uma estratégia política interna do presidente Donald Trump. A avaliação é do jornalista Eduardo Graça, repórter especial e comentarista da CBN, em entrevista ao Jornal da CBN.
Segundo ele, a ofensiva ocorre em um momento de baixa popularidade do presidente Trump e busca transmitir uma imagem de liderança e firmeza ao público americano.
"É uma demonstração de força interna no momento em que o presidente Trump está com uma popularidade extremamente baixa, de mostrar que ele, ao contrário dos presidentes anteriores, é um presidente que age, que vai além da diplomacia. Claro que ele está agindo de uma forma quase unilateral. Os aliados europeus não foram informados com antecedência desse ataque e o olhar dele para o Irã, para esse ataque, não é algo como o que a gente viu no ano passado."
Ele fala em ações de médio a longo prazo e ações grandes. O analista explica que, apesar do discurso mais duro, uma declaração formal de guerra dependeria da aprovação do Congresso dos Estados Unidos, o que ainda não ocorreu. Para ele, o governo tenta ampliar gradualmente a escala do conflito sem assumir oficialmente esse status.
Graça afirma ainda que a estratégia americana inclui pressionar por uma mudança de regime no Irã, apostando em mobilizações populares internas após os ataques.
"É por isso, também, que esse ataque está sendo feito neste momento. O Trump deixa claro, no vídeo dele, que quem tem que tomar o poder... Eu estou abrindo o caminho para vocês tomarem o poder. Então, assim, é uma aposta também política e estratégica que está sendo feita do Trump de fazer esses ataques militares para que haja uma convulsão ainda maior popular e que o governo seja forçado a cair. Em nenhum momento, quando ele fala em mudança de governo, ele não exclui o fato de que quem tomaria esse governo seria a população."
De acordo com o comentarista, os próximos dias serão decisivos para medir a capacidade de reação iraniana e o risco de uma escalada prolongada no Oriente Médio.
Saiba mais sobre o ataque:
Israel e Estados Unidos fizeram um ataque contra o Irã no início da manhã deste sábado no horário local. Os americanos confirmaram que a ofensiva está em andamento.
As explosões foram ouvidas no centro de Teerã, capital iraniana, próximo aos escritórios do líder supremo, Ali Khamenei. Conforme a agência de notícias Reuters, ele foi transferido para um local seguro. Um aereporto da cidade também foi atingido. O ministro da defesa israelense, Israel Katz, afirmou que a ação ocorre para "eliminar ameaças".
As Forças Armadas de Israel disseram que acionaram sirenes de alerta aéreo em diversas regiões do país “para preparar a população para a possibilidade de lançamento de mísseis contra Israel”. O governo israelense também anunciou a suspensão das aulas e do deslocamento das pessoas ao trabalho.
O ataque ocorre num momento em que os Estados Unidos reuniram uma frota de caças e navios de guerra na região para tentar pressionar o Irã a chegar a um acordo sobre seu programa nuclear. A autoridade aeroportuária de Israel informou que fechou o espaço aéreo a voos civis.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou os ataques do país contra o Irã. Em um vídeo de oito minutos publicado em sua rede social, a Truth Social, o republicano afirmou que o objetivo do enclave é defender o povo americano de ameaças do governo iraniano.
