Ataques de Israel deixam 773 mortos no Líbano, enquanto ordens de retirada já atingem 14% do território

 

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O número de mortos em decorrência dos ataques israelenses no Líbano subiu para 773, incluindo 103 crianças e adolescentes, segundo informou o Ministério da Saúde nesta sexta-feira. Desde o início da guerra entre Israel e o Hezbollah, em 2 de março, 1.933 pessoas ficaram feridas. Ao mesmo tempo, ordens de retirada emitidas por Israel já atingem cerca de 14% do território do país.

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Diante do agravamento da crise humanitária e do aumento do número de deslocados, que já passa de 800 mil, o secretário-geral da ONU, António Guterres, lançou nesta sexta-feira um apelo por 325 milhões de dólares (R$ 1,7 bilhão) em ajuda emergencial para apoiar o Líbano.

Desde o início da ofensiva, o Exército de Israel afirma ter realizado mais de 1.100 bombardeios no Líbano, tendo como alvo instalações militares, sistemas de mísseis e posições do Hezbollah. Segundo os militares, 190 ataques atingiram a força de elite Al-Radwan, ligada ao grupo, e mais de 200 tiveram como alvo mísseis ou lançadores.

Escalada militar

Na quinta-feira, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que o país pode capturar o território libanês caso o Hezbollah continue atacando. Ele disse ainda ter ordenado, junto ao primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, que o Exército se prepare para expandir as operações militares no país vizinho.

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“Adverti o presidente do Líbano [Joseph Aoun] de que, se o governo libanês não souber controlar o território e impedir que o Hezbollah ameace as comunidades do norte e dispare contra Israel, tomaremos o território e faremos isso nós mesmos”, disse Katz.

A declaração ocorreu no mesmo dia em que um ataque israelense com drones matou oito pessoas e deixou outras 21 feridas no bairro central de Ramlet al-Baydaa, em Beirute, uma área da capital libanesa que até então era considerada segura. As bombas atingiram o calçadão à beira-mar, onde pessoas deslocadas vinham dormindo ao relento após fugir de regiões bombardeadas.

Entre a noite de quarta-feira e a madrugada de quinta-feira, o Exército israelense lançou uma nova onda de bombardeios contra Beirute e subúrbios ao sul da cidade, no mais recente episódio da campanha militar no país.

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Segundo o jornal israelense Haaretz, autoridades afirmam que Israel pretende continuar sua campanha militar no Líbano mesmo após o fim da guerra contra o Irã, com o objetivo de enfraquecer o Hezbollah.

Em meio à escalada, o movimento pró-iraniano realizou na quarta-feira, “de forma simultânea” com o Irã, sua maior ofensiva contra o território israelense desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, segundo o Exército de Israel.

A intensificação dos ataques israelenses tem sido acompanhada por avisos de retirada em larga escala. Segundo o Conselho Norueguês para Refugiados (NRC), as ordens emitidas por Israel já atingem cerca de 1.470 km², o equivalente a 14% do território libanês, e podem levar o número de deslocados a mais de 1 milhão de pessoas.

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Os alertas atingem principalmente áreas de maioria xiita no sul do país, onde se concentra a base de apoio do Hezbollah.

O Hezbollah se juntou à guerra em 2 de março, ao lançar projéteis contra Israel em resposta ao assassinato, dois dias antes, de Ali Khamenei, líder supremo do Irã e principal aliado do partido-milícia libanês.

(Com AFP)