Ataques contra o Irã acontecem em meio a negociações diplomáticas e refletem interesses políticos internos dos EUA, avalia pesquisadora
Os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã acontecem em meio a negociações diplomáticas e refletem também interesses políticos internos americanos, segundo a professora da PUC Minas e pesquisadora de Oriente Médio, Muna Omran, em entrevista ao Jornal da CBN.
De acordo com a especialista, a ofensiva ocorre após um período de diálogo entre os países e evidencia a imprevisibilidade da estratégia adotada pelo presidente Donald Trump.
"Embora as ameaças dos Estados Unidos estejam ocorrendo há muito tempo, aparentemente a coisa parecia que tinha arrefecido por conta das negociações diplomáticas que estavam já ocorrendo entre os Estados Unidos e o Irã. Só que se depararam com um presidente imprevisível, que é o Donald Trump, que já começa um ataque hoje. Ele pode querer terminar. Diante desse cenário, nesse momento, eu ainda não vejo uma queda do Khamenei."
Para Omran, apesar da fragilidade do regime iraniano após protestos internos, não há sinais de uma queda imediata do governo porque a estrutura de poder do país é complexa e conta com forte influência da Guarda Revolucionária, que mantém peso político e econômico relevante.
A pesquisadora também afirma que o conflito precisa ser analisado à luz da política interna dos Estados Unidos, marcada por queda de popularidade do presidente e pela proximidade de disputas eleitorais.
"Então, a gente não pode dissociar do que está acontecendo internamente nos Estados Unidos, o caso é que, sim, nós não podemos esquecer que a popularidade do trampo está caindo. Então, ele precisa também agir para, assim, entre asas, mostrar serviço internamente e manter a força do seu discurso de poderio americano. E o Israel tem total interesse em desarmar essa região, porque a gente não pode esquecer que o Israel é o maior exército do Oriente Médio."
Segundo ela, o cenário ainda é inicial e deve permanecer instável, com riscos de prolongamento das tensões na região.
Saiba mais sobre o ataque:
Israel e Estados Unidos fizeram um ataque contra o Irã no início da manhã deste sábado no horário local. Os americanos confirmaram que a ofensiva está em andamento.
As explosões foram ouvidas no centro de Teerã, capital iraniana, próximo aos escritórios do líder supremo, Ali Khamenei. Conforme a agência de notícias Reuters, ele foi transferido para um local seguro. Um aereporto da cidade também foi atingido. O ministro da defesa israelense, Israel Katz, afirmou que a ação ocorre para "eliminar ameaças".
As Forças Armadas de Israel disseram que acionaram sirenes de alerta aéreo em diversas regiões do país “para preparar a população para a possibilidade de lançamento de mísseis contra Israel”. O governo israelense também anunciou a suspensão das aulas e do deslocamento das pessoas ao trabalho.
O ataque ocorre num momento em que os Estados Unidos reuniram uma frota de caças e navios de guerra na região para tentar pressionar o Irã a chegar a um acordo sobre seu programa nuclear. A autoridade aeroportuária de Israel informou que fechou o espaço aéreo a voos civis.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou os ataques do país contra o Irã. Em um vídeo de oito minutos publicado em sua rede social, a Truth Social, o republicano afirmou que o objetivo do enclave é defender o povo americano de ameaças do governo iraniano.
