Ataques aéreos israelenses deixam ao menos 28 mortos e 30 feridos na Faixa de Gaza, afirma Defesa Civil
Ataques aéreos de Israel deixaram, pelo menos, 28 mortos e 30 feridos na Faixa de Gaza neste sábado, segundo a Defesa Civil local, controlada pelo Hamas. Ofensiva ocorreu poucas horas depois do anúncio da reabertura parcial da passagem fronteiriça de Rafah, entre o enclave e o Egito. Um dos ataques teve como alvo Al Mawasi, área no sul de Gaza onde dezenas de milhares de deslocados sobrevivem em tendas.
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"O número de mortos na Faixa de Gaza, em decorrência dos ataques aéreos israelenses, chegou a 22, a maioria mulheres e crianças", informou a Defesa Civil, antes de atualizar o balanço. De acordo com o órgão, ainda há pessoas “presas sob os escombros”.
— Prédios residenciais, tendas e uma delegacia de polícia foram atingidos, o que levou a este desastre humanitário — afirmou o porta-voz da Defesa Civil, Mahmud Basal.
O bombardeio à delegacia ocorreu na Cidade de Gaza e deixou sete mortos, entre agentes e civis, segundo a direção da polícia. Um militar israelense disse à AFP que “vários ataques aéreos foram realizados durante a noite, em resposta às flagrantes violações do acordo de cessar-fogo por parte do Hamas”.
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Desde 10 de outubro vigora um frágil cessar-fogo sob pressão dos Estados Unidos. Em janeiro, o acordo entrou em sua segunda fase, que prevê o desarmamento do Hamas, a retirada das forças israelenses de mais áreas da Faixa e o envio de uma força internacional de estabilização. Israel e Hamas têm se acusado repetidamente de violar a trégua. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, mais de 500 pessoas morreram em ataques israelenses desde então.
À espera da reabertura de Rafah
Tudo isso acontece poucas horas antes da reabertura anunciada para este domingo da passagem de Rafah, para permitir um fluxo limitado e controlado de pessoas. Esse posto é o único ponto de entrada e saída entre a Faixa de Gaza e o mundo exterior que não passa por Israel.
Na sexta-feira, o COGAT — órgão ligado ao Ministério da Defesa de Israel responsável por assuntos civis nos territórios palestinos ocupados — informou que a movimentação de pessoas ocorrerá “em coordenação com o Egito”, mediante autorização de segurança israelense e “sob supervisão” de uma missão da União Europeia.
O anúncio israelense está longe de atender às demandas do Hamas e da ONU. Na última quarta-feira, cerca de 10 países, entre eles França e Reino Unido, instaram Israel a permitir a entrada “sem obstáculos” de ajuda humanitária em Gaza.
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— Israel continua violando gravemente o acordo de cessar-fogo, com restrições a material médico, medicamentos e equipamentos — disse Munir al Barsh, diretor-geral do Ministério da Saúde de Gaza.
A reabertura de Rafah também deve permitir a chegada dos integrantes do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês), responsável por gerir o território durante um período de transição, no âmbito do plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar a guerra.
Quase toda a população de Gaza foi deslocada várias vezes ao longo dos dois anos de guerra no enclave. Centenas de milhares, de um total de dois milhões de habitantes, vivem em tendas.
A guerra começou com o ataque terrorista do Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023, que matou 1.221 pessoas, a maioria civis. Desde então, mais de 71 mil palestinos morreram no enclave em decorrência da campanha militar israelense em retaliação, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza — número considerado confiável pela ONU e confirmado pelas Forças Armadas de Israel.
