Ataque incendiário de grupo extremista provoca apagão em Berlim em meio ao frio intenso

 

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Milhares de residências seguem sem eletricidade, comunicações e aquecimento nesta terça-feira em Berlim três dias após um ataque incendiário atingir a infraestrutura energética da capital alemã. O apagão, ocorrido na noite de sábado, deixou moradores expostos a temperaturas abaixo de zero e levantou questionamentos sobre a fragilidade dos sistemas de segurança da cidade.

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De acordo com o jornal português SiC Notícias, inicialmente, a interrupção afetou cerca de 45 mil casas e 2.200 empresas. As autoridades estimam que até 100 mil pessoas tenham sido impactadas. Na noite de segunda-feira, o fornecimento foi restabelecido em parte da cidade, mas 27.800 residências e 1.450 empresas da região sudoeste permanecem sem energia.

A autoria do ataque foi reivindicada pelo grupo de extrema esquerda Vulkangruppe (Grupo Vulcão), que afirmou ter sabotado a central elétrica a gás de Berlim-Lichterfelde como forma de protesto climático. Em carta divulgada na internet e apreendida pela polícia, o grupo classificou a ação como “necessária” contra a expansão desse tipo de instalação e como um ato de “autodefesa” do planeta, pedindo desculpas às populações vulneráveis afetadas.

Segundo a investigação preliminar, os ativistas incendiaram uma ponte suspensa que concentrava cinco linhas de transmissão de energia, utilizando dispositivos incendiários posicionados sob os cabos. O ataque comprometeu o abastecimento de uma ampla área da cidade.

Em coletiva de imprensa, a senadora do Interior de Berlim, Iris Spranger, classificou o episódio como um “ataque desumano” que colocou vidas em risco de forma deliberada e afirmou que o caso pode ser enquadrado como terrorismo de esquerda. Já a senadora de Assuntos Econômicos e Energia, Franziska Giffey, solicitou apoio federal para aprofundar as investigações.

O prefeito da capital, Kai Wegner, declarou estado de emergência no domingo, permitindo o envio de apoio das Forças Armadas. Segundo ele, parte dos moradores só terá o serviço restabelecido até quinta-feira, prazo que abalou a confiança pública na capacidade de resposta das autoridades.

Com escolas e creches prolongando as férias de Ano Novo e o sistema ferroviário suburbano (S-Bahn) fora de operação até segunda-feira, a cidade passou a funcionar de forma limitada. Abrigos de emergência foram abertos para aquecimento da população, hotéis ofereceram tarifas reduzidas e o corpo de bombeiros instalou centrais de atendimento presencial, já que a falha elétrica também comprometeu as comunicações móveis.

Moradores ouvidos pelo The New York Times expressaram preocupação com a exposição da infraestrutura crítica da cidade. “Um país como a Rússia estaria observando isso atentamente para identificar pontos vulneráveis”, disse Jürgen Eicher, de 56 anos.