Ataque dos EUA à Venezuela acirra embate entre esquerda e direita nas redes sociais

 

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Políticos de esquerda e de direita travam neste sábado um embate nas redes sociais após o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que forças americanas realizaram um ataque de grande escala contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro. Enquanto parlamentares da esquerda classificaram a ofensiva como agressão militar e violação do direito internacional, lideranças da direita comemoraram o que chamaram de fim da ditadura chavista.

Entre aliados do governo Lula, as críticas se concentraram na denúncia de intervenção estrangeira e nos riscos humanitários do ataque. O deputado Reimont (PT-RJ) afirmou que “bombas não trazem democracia” e que a soberania nacional deve ser respeitada. Na mesma linha, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) disse que os Estados Unidos, sob Trump, retomam uma “sanha imperialista” e comparou a ofensiva a intervenções americanas no Vietnã, no Panamá e em Granada, cobrando reação da comunidade internacional.

As manifestações ocorreram após relatos de explosões em Caracas durante a madrugada e a declaração de Trump de que Maduro e a esposa teriam sido capturados e retirados do país por via aérea. Até o momento, Washington não informou o destino do líder venezuelano nem a base legal da operação, o que ampliou o debate jurídico e político em torno da ofensiva.

No campo oposto, parlamentares e lideranças da direita celebraram a retirada de Maduro do poder e usaram o episódio para atacar a esquerda brasileira. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou que “acabou o tempo de passar pano para ditaduras” e disse que a América do Sul começa a “acordar de um pesadelo”.

Também comemorando o anúncio, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, pré-candidato à Presidência, declarou que o dia 3 de janeiro deveria entrar para a história como o da “libertação do povo venezuelano”. Já o deputado Filipe Barros (PL-PR) classificou a ação americana como “necessária” e afirmou que a direita deve permanecer vigilante para impedir que o governo brasileiro acolha Maduro em território nacional. A deputada Bia Kicis (PL-DF) também comemorou a captura do presidente venezuelano, chamando-o de “ditador sanguinário”.

O embate nas redes ocorre enquanto o governo brasileiro adota cautela. O Planalto e o Itamaraty convocaram uma reunião de emergência para reunir informações sobre a operação antes de qualquer posicionamento oficial. Interlocutores afirmam que a prioridade é compreender os desdobramentos diplomáticos e jurídicos do ataque, diante do impacto potencial para a estabilidade política da América do Sul.