Ataque dos EUA à Venezuela acende alerta no governo brasileiro sobre segurança na fronteira e fluxo migratório
Uma das principais preocupações do governo brasileiro diante dos ataques dos Estados Unidos à Venezuela é a extensa fronteira terrestre compartilhada pelos dois países, com mais de 2 mil quilômetros de extensão. Avaliações feitas no Palácio do Planalto e em áreas da segurança indicam que a instabilidade no território venezuelano pode gerar impactos diretos sobre a região norte do Brasil.
A apreensão não se limita a um eventual aumento do fluxo de imigrantes venezuelanos em direção ao Brasil, movimento que já ocorre há anos em função da crise econômica e social no país vizinho. Autoridades brasileiras também veem risco de que a intensificação do conflito facilite a entrada, pela fronteira, de pessoas ligadas a organizações criminosas, especialmente ao narcotráfico.
Diante do agravamento do cenário, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o Sistema Único de Saúde (SUS) está preparado para absorver os impactos que o conflito na Venezuela pode provocar. Em mensagem publicada em uma rede social, Padilha disse que o Brasil cuidará “de quem precisar ser cuidado, em solo brasileiro”.
Padilha foi o primeiro integrante do primeiro escalão do governo brasileiro a se manifestar publicamente sobre os ataques do governo de Donald Trump à Venezuela. A declaração ocorreu em meio à mobilização do governo federal para avaliar os desdobramentos da ofensiva.
Na manhã deste sábado, uma reunião de emergência foi convocada para discutir os ataques e a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Segundo interlocutores do Itamaraty, a prioridade neste momento é reunir informações detalhadas sobre a operação antes de qualquer posicionamento público oficial do governo brasileiro.
