Ataque cibernético a fabricante de equipamentos médicos nos EUA aumenta temor de nova frente na guerra contra o Irã

 

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Um ataque cibernético contra a fabricante de equipamentos médicos americana Stryker elevou as preocupações de que o Irã ou grupos de hackers ligados ao país possam passar a atingir empresas civis e infraestrutura à medida que a guerra continua.

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A Stryker não informou quem está por trás do ataque, que interrompeu seus sistemas em todo o mundo na quarta-feira. Um grupo de hackers, no entanto, pareceu assumir a responsabilidade pela ação, afirmando que ela foi uma retaliação a um ataque com míssil contra uma escola primária iraniana.

A empresa, sediada no estado de Michigan e fabricante de uma ampla gama de equipamentos médicos, disse nesta quinta-feira que ainda tentava restaurar seus sistemas de comunicação e de pedidos. Segundo a companhia, o ataque parece ter se limitado aos seus programas da Microsoft.

A Stryker acrescentou que não havia “indícios de malware ou ransomware” associados ao incidente. A empresa afirmou ainda que a comunicação com seus funcionários e representantes de vendas permanece segura por e-mail, telefone ou dentro das instalações.

“É seguro se comunicar com funcionários e representantes de vendas da Stryker por e-mail e telefone, e dentro de suas instalações”, afirmou a companhia em comunicado. Segundo informações publicadas em seu site, a empresa tem clientes em 61 países.

Uma organização de hackers que se autodenomina Handala reivindicou a responsabilidade pelo ataque em uma declaração publicada nas redes sociais na quarta-feira. No comunicado, o grupo afirmou que a invasão foi uma retaliação a um ataque com míssil ocorrido em 28 de fevereiro contra uma escola primária no sul do Irã.

Segundo autoridades iranianas, o bombardeio matou pelo menos 175 pessoas, a maioria crianças. Conclusões preliminares de uma investigação do Pentágono indicam que o ataque foi realizado pelos militares dos Estados Unidos devido a um erro de alvo, informou o The New York Times.

O Handala, que parece ter surgido algumas semanas após o início da guerra entre Israel e o Hamas em Gaza, em 2023, tem como alvo empresas e indivíduos ligados a Israel, segundo empresas de cibersegurança e grupos de inteligência.

Entre elas estão a Cyberint, com presença nos Estados Unidos e em Israel, e a plataforma IBM X-Force Exchange, da IBM. Desde o início da guerra com o Irã, em 28 de fevereiro, empresas de segurança têm alertado que o país ou grupos ligados a ele podem recorrer à guerra cibernética.

Em alguns casos, essas empresas mencionaram especificamente o Handala. A declaração atribuída ao grupo na quarta-feira afirma que o ataque também foi, em parte, uma resposta a ofensivas cibernéticas contra o chamado “Eixo da Resistência”, termo usado pelo Irã para se referir à sua rede regional de milícias.

A mesma conta em redes sociais publicou ainda outro comunicado atribuído ao Handala. Nesse texto, o grupo afirma ter invadido a Verifone, empresa internacional de pagamentos, mirando especificamente seus sistemas em Israel. A Verifone afirmou por e-mail que “não encontrou evidências de qualquer incidente relacionado a essa alegação”. Segundo a empresa, seus clientes também não sofreram qualquer interrupção nos serviços.

Em atualização.