Ataque ao Irã ocorreu por chance de matar Ali Khamenei, diz jornal; Israel hackeou câmeras e usou IA

 

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O momento do ataque ao Irã ocorreu por uma chance dos Estados Unidos e de Israel de matar o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. A informação está em uma reportagem do jornal Financial Times, que descreveu as horas anteriores e o plano de ataque.

Segundo o veículo, Israel invadiu o sistema de câmeras de trânsito de Teerã para monitorar o cotidiano de figuras importantes do governo iraniano. O país descobriu como funcionava o padrão de comportamento do aiatolá e de sua equipe de segurança.

O relatório menciona ainda que Israel utilizou ferramentas de Inteligência Artificial, juntamente com algoritmos, para analisar a vasta quantidade de informações recolhidas sobre a liderança iraniana e os seus movimentos.

Além disso, houve uma confirmação para o governo israelense e americano de que Ali Khamenei estaria em sua residência no dia para uma reunião. Apesar de ter dois bunkers à disposição, ele normalmente preferia ficar em casa.

De acordo com o Financial Times, Israel atacou o complexo onde Khamenei estava sendo protegido usando mísseis Sparrow, enquanto os aviões foram posicionados durante o dia para obter um efeito surpresa, mesmo com o alto nível de alerta no Irã.

No total, 30 mísseis foram disparados contra o complexo, enquanto as torres de telefonia celular na área foram danificadas, de modo que os telefones dos agentes de segurança não conseguiam receber chamadas de alerta.

A operação incluiu inteligência de sinais, penetração na rede celular e a confirmação, por parte da fonte americana, de que a reunião estava acontecendo.

O jornal também mencionou que o planejamento da operação começou em 2001, quando o ex-primeiro-ministro Ariel Sharon ordenou à agência de inteligência de Israel que fizesse do Irã seu principal alvo.

Já o jornal New York Times destaca que Donald Trump pretendia atacar o Irã na sexta-feira (27), porém adiou devido à possibilidade de matar o aiatolá.

Irã alerta europeus a 'não se juntarem à guerra' no Oriente Médio

Quarto dia da Guerra no Oriente Médio

AFP

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, fez um alerta nesta terça-feira (3) para os países europeus a 'não se juntarem à guerra' que acontece no momento com Israel e Estados Unidos com o país persa.

Segundo ele, 'qualquer ação militar europeia é um ato de guerra que exige uma resposta'. A afirmação foi feita em uma entrevista ao Tehran Times.

Pouco antes, o Irã defendeu que está focado na 'defesa' após diversas tentativas de negociações com os Estados Unidos e voltou a rejeitar uma nova rodada de conversas com o governo Trump.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, comentou que a 'desgraça eterna recairá sobre aqueles que alegaram buscar a diplomacia, mas, diante da lógica do Irã, cederam e optaram pela via militar'.

Ele também comentou sobre uma possível entrada de europeus no conflito.

'Os europeus adotaram abordagens 'contraditórias' em relação à guerra em curso. Devem abandonar essa indiferença, pois as consequências de qualquer violação da lei e da guerra são um incêndio que em breve se espalhará para os países europeus e para o mundo'.

Sobre o aumento das tensões com os países vizinhos através de ataques à sua infraestrutura energética, ele apenas enfatizou que Teerã se considera 'comprometida com os princípios humanitários'.

'O regime sionista não hesita em cometer nenhum ato de maldade. Peço aos meus amigos árabes que reflitam cuidadosamente. O regime não hesita em expandir o alcance da guerra, difamar a reputação do Irã e cometer crimes em outros países', segue ele.

Baghaei também afirmou que 'o Irã é atualmente a única força restante que se opõe ao mal', se referindo aos EUA como 'o diabo'.

Os Estados Unidos orientaram os americanos que estão em 14 países da região do Oriente Médio e de locais próximos a 'deixarem seus países imediatamente por meios comerciais devido a sérios riscos à segurança'.

A declaração foi feita por Mora Namdar, subsecretária de Estado dos EUA, em uma publicação nas redes sociais. Entre os países citados estão:

Bahrein

Egito

Irã

Iraque

Israel e Gaza

Jordânia

Kuwait

Líbano

Omã

Catar

Arábia Saudita

Síria

Emirados Árabes Unidos

Iêmen

Além disso, os EUA ordenaram nesta terça-feira (3) que os funcionários governamentais não essenciais deixem ao menos seis países do Oriente Médio após os ataques iranianos e do Hezbollah a embaixadas americanas na região.

Funcionários na Jordânia, Bahrein, Iraque, Catar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos foram orientados pelo Departamento de Estado dos EUA a deixarem seus países com suas famílias 'devido a riscos à segurança'.

Destruição no Irã após ataques dos EUA e de Israel.

AFP

Isso ocorre após ataques contra embaixadas americanas na Arábia Saudita e no Kuwait, com outras embaixadas dos EUA emitindo alertas para que as pessoas permaneçam em casa.

No quarto dia de conflitos no Oriente Médio, pelo menos nove países da região já foram alvo de resposta do Irã aos ataques lançados pelos Estados Unidos e por Israel. A embaixada dos EUA em Riad, na Arábia Saudita, foi atingida por dois drones nesta terça-feira (3).

O local estava vazio e não houve mortos ou feridos, conforme a representação americana. Em comunicado, a embaixada pediu para que os cidadãos americanos no país busquem abrigo. As explosões ocorrem no momento em que o Irã intensifica a campanha contra os países do Golfo.

Diversos drones têm sido lançados por Teerã contra alvos no Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, muitos deles em direção a bases americanas. No Iraque, um ataque feito também com drones teve como alvo uma base militar dos Estados Unidos nas proximidades do aeroporto de Erbil. No Kuwait, a embaixada americana foi fechada por tempo indeterminado.

Ao ser perguntado sobre uma possível retaliação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a resposta ocorrerá em breve.

Pelo exército de Israel, houve também um ataque simultâneo contra Teerã e Beirute. A força aérea israelense atingiu alvos militares iranianos e do grupo terrorista Hezbollah.