Ataque a banco pode afetar você? Entenda os riscos reais para seu dinheiro
Um ataque hacker que atingiu o BTG Pactual nos últimos dias reacendeu um medo sobre a segurança em bancos: até que ponto o dinheiro guardado está, de fato, protegido? Na ocasião, o Banco Central do Brasil identificou “atividades atípicas” nas contas do banco; horas depois, a própria instituição confirmou a invasão e suspendeu temporariamente as operações via Pix. O desvio estimado foi de R$ 100 milhões; parte do montante foi recuperada, enquanto o restante teria sido distribuído entre diferentes instituições financeiras e convertido em criptomoedas. Apesar da dimensão do caso, não houve acesso a contas nem vazamento de dados de clientes. A partir de situações como essa, especialistas explicam quais são os riscos reais para o usuário e o que, de fato, pode acontecer com o seu dinheiro. Confira.
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A seguir, o TechTudo consultou dois especialistas para entender os riscos reais que ataques bancários podem trazer aos seus valores guardados; veja
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Como um ataque a banco pode afetar você?
O TechTudo ouviu dois especialistas: Gustavo Siuves, especialista em tecnologia financeira, e Fernando Corrêa, especialista em segurança cibernética, para explicar os impactos de ataques a bancos, como riscos que clientes podem correr, possíveis golpes após o ocorrido, bem como conselhos do que fazer. A seguir, veja o 'índice do que será abordado nesta matéria:
O que acontece quando um banco sofre um ataque?
Clientes correm risco? Em quais casos isso pode acontecer
O que protege o seu dinheiro dentro dos bancos
O impacto mais comum: instabilidade e bloqueios
O risco que realmente cresce: golpes após o ataque
Viu uma notícia de ataque? O que fazer na hora
Quais configurações ou hábitos realmente fazem diferença na proteção da conta?
O que acontece quando um banco sofre um ataque?
Quando um banco é alvo de uma invasão, uma série de protocolos internos entra em ação para conter o problema e evitar que ele se espalhe. Fernando Corrêa, CEO da Security First e especialista em tecnologia, proteção de dados, ciberdefesa e conformidade digital, explica que os efeitos imediatos costumam aparecer no funcionamento dos serviços, citando dois cenários principais. “O primeiro, e mais visível no dia a dia, é a indisponibilidade: o aplicativo sai do ar, você não consegue fazer um Pix ou pagar um boleto no vencimento porque o banco precisou ‘puxar a tomada’ temporariamente para conter o ataque",explica.
No entanto, um outro problema ainda mais grave pode ocorrer: o vazamento de dados. "O segundo, e mais preocupante a longo prazo, é o vazamento de dados. Se os criminosos conseguirem acessar os bancos de dados, informações pessoais (como CPF, endereço, histórico de transações e senhas) podem cair em mãos erradas, abrindo portas para fraudes futuras no nome da pessoa”, conclui.
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2) Clientes correm risco? Em quais casos isso pode acontecer
O risco direto ao dinheiro do cliente é considerado baixo na maioria dos casos. Gustavo Siuves, especialista em tecnologia financeira e CRO da infratech Azify, afirma que isso se deve à forma como os sistemas são estruturados: “A arquitetura de segurança dos bancos é projetada exatamente para isolar os sistemas internos dos dados e recursos dos clientes. Quando um incidente ocorre, os protocolos de contenção são ativados rapidamente e o objetivo é impedir que o problema se propague. O dinheiro dos clientes fica em sistemas segregados, com controles de acesso muito restritos. É parecido com um hospital que tem um incêndio em um corredor administrativo: os pacientes, nas alas protegidas, não são diretamente afetados. A resposta a incidentes nos grandes bancos brasileiros hoje é bastante madura, com equipes dedicadas 24 horas”, comenta.
Corrêa complementa que, para que um ataque institucional atinja diretamente o usuário, seria necessário ultrapassar várias barreiras: “É a famosa separação de ‘cofres’. Os bancos usam uma arquitetura onde o dinheiro da operação da instituição (que eles usam nos bastidores para liquidar as transferências) fica isolado do dinheiro e dos dados da sua conta corrente. Além disso, existem várias camadas de proteção. Para um hacker chegar no saldo do cliente final, teria que ultrapassar todas essas camadas, o que é muito mais complexo do que explorar uma falha pontual em um sistema de transferência do próprio banco, como vimos nesse caso recente”, explica.
3) O que protege o seu dinheiro dentro dos bancos
A segurança bancária não depende de uma única tecnologia, mas de um conjunto de camadas que atuam simultaneamente. Siuves detalha como esse sistema funciona na prática: “O sistema bancário brasileiro opera com múltiplas camadas de proteção que funcionam de forma integrada. Na base, temos a criptografia de ponta a ponta, que garante que os dados trafeguem de forma ilegível para qualquer agente externo. Sobre isso, existem sistemas de autenticação multifator, firewalls avançados e monitoramento contínuo de comportamento, que identificam padrões suspeitos em tempo real" , exemplifica.
Ainda segundo o especialista, o BC tem um papel fundamental nesse processo: "O Banco Central do Brasil também exige que as instituições sigam normas rígidas de segurança da informação, como a Resolução CMN 4.893, o que cria um padrão elevado em todo o setor. No caso do Pix especificamente, a liquidação das transações passa pela infraestrutura do próprio Bacen, que adiciona mais uma camada institucional de controle”, explica.
Ele também destaca que o país possui um sistema robusto nesse aspecto: “O Brasil tem, reconhecidamente, um dos sistemas de pagamentos mais avançados e seguros do mundo. O Pix é um exemplo disso: foi desenvolvido com segurança como premissa, não como recurso adicionado depois. O Banco Central investe fortemente em regulação, testes de estresse e exigências de resiliência para todas as instituições participantes. Isso não significa que estamos imunes a incidentes, pois nenhum sistema no mundo está. Mas significa que temos estrutura para detectar, conter e responder com rapidez. O amadurecimento do setor nos últimos anos, especialmente com a chegada das fintechs e do open finance, também trouxe mais inovação em segurança. O Brasil está bem posicionado e continua evoluindo”, conclui.
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4) O impacto mais comum: instabilidade e bloqueios
Em muitos casos, o usuário percebe o efeito de um ataque não pelo risco ao dinheiro, mas por limitações temporárias no uso do banco. Siuves explica que isso faz parte da estratégia de defesa: "É uma medida de proteção, não de prejuízo. Quando um banco identifica uma ameaça, pode optar por suspender temporariamente alguns serviços ou bloquear transações fora do padrão habitual do usuário. Isso é chamado de resposta preventiva. O cliente pode, por exemplo, ter uma transferência via Pix negada temporariamente se o sistema identificar algo fora do seu comportamento normal. É desconfortável, mas é exatamente o sistema funcionando como deveria, priorizando a segurança sobre a conveniência momentânea”, explica.
5) O risco que realmente cresce: golpes após o ataque
Situações como a ocorrida com o BTG Pactual podem ser a porta de entrada para ataques de golpistas, mesmo que o dinheiro guardado no banco se mantenha protegido. Por isso, Siuves faz um alerta: “Na grande maioria dos cenários de ataque a infraestruturas bancárias, o usuário comum não tem risco financeiro direto. O maior risco para o cliente, na prática, não vem dos ataques às instituições em si, mas sim das tentativas de engenharia social que surgem no rastro desses eventos. Golpistas se aproveitam do clima de insegurança para aplicar fraudes se passando por bancos, enviando mensagens falsas ou ligando para ‘confirmar dados’. O alerta mais importante que deixo é: nenhum banco pede senha, token ou dados pessoais por telefone ou mensagem. Se alguém entrar em contato após um incidente, desconfie sempre”, declara.
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Corrêa reforça que esse tipo de golpe segue um padrão conhecido: “O oportunismo é a principal arma do cibercrime. Assim que a notícia de um ataque ganha a mídia, os golpistas disparam mensagens falsas por SMS, WhatsApp e e-mail. O roteiro é quase sempre o mesmo: ‘Notamos uma invasão na sua conta devido ao ataque de hoje. Clique neste link para confirmar seus dados ou transferir seu dinheiro para uma conta segura’. É a velha engenharia social se aproveitando do pânico do momento para fazer a vítima entregar o acesso de bandeja”.
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Mariana Saguias/TechTudo
6) Viu uma notícia de ataque? O que fazer na hora
Diante de notícias sobre ataques bancários, a reação imediata pode acabar sendo o maior risco. Corrêa orienta que o primeiro passo é manter a calma: “A melhor atitude inicial é não fazer nada por impulso. Não saia transferindo todo o seu dinheiro para outra instituição de forma desesperada só porque leu uma manchete — é exatamente nesse momento de pressa que você pode cometer um erro ou cair em um golpe paralelo. Acompanhe os canais oficiais do banco (site, redes sociais verificadas e comunicados dentro do app) e os grandes portais de notícias. Se o banco informar que os dados e os saldos dos clientes estão seguros, a sua conta não está em risco imediato. Apenas redobre a atenção com mensagens estranhas chegando no seu celular nos dias seguintes”, indica.
Ele também destaca sinais claros de fraude: “O principal sinal de alerta é o senso de urgência. O golpista quer que você aja por impulso, com medo de perder dinheiro. O usuário precisa ter em mente uma regra de ouro: nenhum banco vai ligar ou mandar mensagem pedindo para você transferir seu saldo para uma ‘conta de segurança’, nem vai pedir sua senha por telefone para bloquear uma fraude. Se receber algo assim, respire fundo, ignore a mensagem e abra o aplicativo oficial do banco por conta própria para checar se há algum aviso real”, conclui.
7) Quais configurações ou hábitos realmente fazem diferença na proteção da conta?
De acordo com Fernando Corrêa, o básico bem feito salva vidas. “Primeiro: ajuste os limites do seu Pix. Deixe um valor baixo para o dia a dia e, principalmente, restrinja os valores no período noturno. Segundo: ative a autenticação em duas etapas em tudo, especialmente no e-mail que você usa para recuperar senhas. Terceiro: ative as notificações push ou por SMS para cada transação no seu cartão ou conta. Se algo estranho acontecer, você fica sabendo no mesmo segundo. E claro, sempre prefira usar a biometria (reconhecimento facial ou digital) para abrir o aplicativo do banco”.
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