A Polícia Civil do Paraná (PCPR) investiga se um ex-professor de um colégio estadual de Ponta Grossa, nos Campos Gerais, fez outras vítimas além de uma adolescente de 15 anos.
O caso começou após a denúncia de que o docente havia pedido fotos nuas da aluna e, diante da recusa, usado a possibilidade de reprovação escolar para chantageá-la.
Os fatos aconteceram no fim de 2025 e são investigados pelo Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) da Polícia Civil.
O homem, que não teve o nome divulgado, é investigado pelo crime de assédio sexual e responde ao inquérito em liberdade.
Na sexta-feira, dia 7 de agosto, a Polícia Civil realizou uma operação na casa do investigado e cumpriu mandados de busca e apreensão.
Os policiais apreenderam um celular, um notebook e pendrives, encaminhados para perícia, segundo informações do g1.
A análise dos equipamentos deverá verificar se o homem também armazenava imagens de exploração sexual de adolescentes.
A investigação busca esclarecer se o episódio envolvendo a adolescente de 15 anos foi um caso isolado ou se existem outras vítimas e outros registros nos dispositivos apreendidos.
Polícia procura outras possíveis vítimas
Nenhuma outra vítima havia procurado a polícia até esta quarta-feira, segundo a delegada responsável pelo caso.
A chefe do Nucria em Ponta Grossa, Ana Paula Cunha Carvalho, pediu que possíveis vítimas procurem as autoridades, sejam da mesma instituição de ensino ou de outras escolas.
— Nenhuma outra vítima procurou.
Então fica aqui o alerta.
Caso tenha havido a situação não só com essa vítima que formalizou a denúncia, mas com outras colegas na mesma instituição ou outra instituição de ensino, que procurem a polícia.
É importante que essa notícia chegue até nós, para que a gente possa dar início a uma nova investigação, se for o caso — afirmou ao g1.
Segundo Ana Paula Cunha Carvalho, o investigado responde ao inquérito em liberdade porque, quando a denúncia foi apresentada, já havia passado o período necessário para que a situação pudesse ser considerada flagrante.
Polícia afirma que assédio sexual está comprovado
A delegada afirmou que, segundo os elementos reunidos no inquérito, o crime de assédio sexual já está comprovado nos autos.
Ela destacou que, mesmo sem o envio da fotografia pela adolescente, o crime estaria configurado pelo próprio pedido da imagem.
— Já está devidamente comprovado nos autos.
Mesmo que a menina não tenha enviado a fotografia, o crime se configura pelo simples pedido, pela simples solicitação dessa imagem dela nua — afirmou Ana Paula Cunha Carvalho.
Prints divulgados pela Polícia Civil mostram as mensagens enviadas pelo professor à adolescente.
Depois que a menina recusou o envio das imagens, o professor passou a ameaçá-la com a possibilidade de reprovação escolar.
"Eu tô mandando.
Você não tem escolha, ou você quer reprovar, hein? Vai querer decepcionar toda a sua família? Não, né? Então manda logo a foto que eu quero, e não demore", escreveu o professor investigado.
Ex-professor foi afastado da rede estadual
O episódio ocorreu quando o homem ainda era professor da adolescente.
Depois que ela relatou o caso, o docente passou por um processo administrativo e, após o procedimento, foi afastado da rede estadual de ensino.
Em nota, o Núcleo Regional de Educação (NRE) de Ponta Grossa, ligado à Secretaria de Estado de Educação do Paraná (Seed-PR), confirmou que o docente não faz mais parte do quadro da rede estadual.
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