O uso de aspirina em baixas doses foi associado a uma redução de aproximadamente 70% no risco relativo de demência entre idosos com um perfil genético específico. No mesmo grupo, porém, o risco de sangramentos graves foi cerca de duas vezes maior, um resultado que impede interpretar o achado como uma recomendação para começar a tomar o medicamento.
A pesquisa, da Universidade Monash, na Austrália, foi publicada na revista Alzheimer’s & Dementia. A análise reuniu dados genéticos de 13.541 participantes do estudo ASPREE, que comparou o uso de aspirina com um placebo, uma substância sem o princípio ativo do medicamento.
A associação apareceu entre os participantes com as pontuações genéticas mais altas relacionadas à quantidade de plaquetas, componentes do sangue que ajudam na formação de coágulos. O grupo correspondia aos 20% com maior pontuação.
A classificação considera um conjunto de variações no DNA associadas à contagem de plaquetas. Portanto, o resultado se refere a um perfil genético, e não apenas à quantidade de plaquetas identificada em um exame de sangue comum.
Entre os idosos com aquele perfil, aproximadamente 1% dos que receberam aspirina desenvolveram demência, contra 3,3% dos que receberam placebo. A redução de cerca de 70% é relativa à comparação entre os grupos; em termos absolutos, a diferença foi de aproximadamente 2,3 pontos percentuais.
Os autores classificam a descoberta como exploratória, ainda sem validação independente. O próximo passo é verificar o resultado em outras populações e realizar um ensaio clínico específico com pessoas daquele perfil genético.
Até lá, o achado não fundamenta que tomar aspirina pode prevenir demência, especialmente diante do aumento dos sangramentos graves.
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