As lentes que capturaram a complexa história da Índia: Raghu Rai deixa legado de 60 anos de fotografia
O pioneiro do fotojornalismo indiano faleceu no último domingo (26), em Nova Délhi, após mais de 60 anos dedicados a registrar grandes tragédias, o cotidiano e marcos do governo do país. Ele ganhou notoriedade com o projeto que documentou o desastre de Bhopal, em 1984, considerado o maior crime industrial da história. Ao longo da carreira, Rai também registrou figuras como Madre Teresa, Dalai Lama e Indira Gandhi, a única primeira-ministra da Índia.
Rai estudou engenharia civil, mas decidiu seguir os passos do irmão mais velho, também fotógrafo, conhecido como S. Paul. Iniciou a carreira no jornal indiano The Statesman, em 1966, e posteriormente assumiu o cargo de editor de fotografia nas revistas India Today e Sunday.
Em 1972, o fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson, impressionado com uma exposição do indiano em Paris, indicou Rai para a agência Magnum Photos, reconhecida mundialmente. Em 1977, ele se junta a equipe e torna-se um colaborador associado.
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A imprensa internacional repercutiu a morte do fotógrafo. A britânica BBC afirmou que Rai ajudou a definir o fotojornalismo indiano moderno, “influenciando gerações de fotógrafos”. A agência Magnum, onde trabalhou, publicou um memorial em homenagem ao artista, destacando que ele usava a fotografia como uma extensão do coração, e não dos olhos.
Segundo o jornal The New York Times, Avani Rai, de 34 anos, filha do fotógrafo, teve com o pai uma conversa decisiva antes de escolher seguir seus passos. De acordo com ela, Rai disse que, se quisesse ser apenas sua filha, seria amada e cuidada. Fez então uma pausa e completou: “Mas, se você quer ser fotógrafa, precisa de um foguete dentro de si, algo que nunca para de disparar. Você não descansa. Você simplesmente continua voando”.
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É possível conferir os trabalhos do fotógrafo no site da fundação dele, em https://raghuraifoundation.org/work/.
