As armas da guerra: um guia sobre os principais artefatos utilizados por EUA, Israel e Irã no conflito do Oriente Médio
A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã não está sendo travada por terra, mas no céu — e também a partir dele. O confronto reúne um arsenal que vai de bombas planadoras guiadas por GPS e munições de precisão utilizadas por caças e navios americanos a mísseis balísticos capazes de percorrer mais de 1.900 km e drones de baixo custo lançados por Teerã. Veja a seguir um guia das principais armas que cada lado está utilizando para atingir seus objetivos no conflito.
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Estados Unidos e Israel
Eles iniciaram esta guerra enviando dois porta-aviões da Marinha dos EUA — juntamente com dezenas de caças, bombardeiros e aviões de reabastecimento da Força Aérea americana — para a região. Três contratorpedeiros escoltam cada porta-aviões, armados com uma variedade de mísseis ofensivos e defensivos.
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Quando a guerra começou, a primeira onda de bombardeios utilizou armas, como a bomba planadora AGM-154, que podiam ser lançadas muito além do alcance das defesas do Irã.
Bomba planadora AGM-154
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O que faz: Quando uma bomba planadora é lançada de um avião como um F/A-18 Super Hornet, as asas da munição se abrem, proporcionando sustentação para um voo longo e silencioso até o alvo. Aletas traseiras giratórias utilizam GPS para direcionar a bomba. Alguns modelos podem atingir alvos em movimento.
Qual é o seu alcance: Mais de 128 km.
Como é utilizada: Uma variante é uma arma de fragmentação que cobre locais de defesa aérea inimigos com bombas menores. Outra versão contém uma ogiva com o equivalente a cerca de 90 kg de TNT.
Quem a fabrica: Raytheon.
Quanto custa: US$ 578.000 (mais de R$ 2,9 bilhões) a US$ 836.000 (mais de R$ 4,3 bilhões).
Quantos os EUA possuem: a Marinha comprou 3 mil delas há quase duas décadas.
Agora, o Departamento de Defesa afirma que as forças armadas destruíram a defesa aérea do Irã e passarão a usar bombas “de uso geral” muito mais baratas, que são lançadas muito mais perto de seus alvos. Elas vêm em três tamanhos: 226, 453 e 907 kg.
Munição conjunta de ataque direto
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O que faz: Cai e explode coisas. É guiada por sinais de GPS e pode ser programada para explodir logo acima do alvo ou no impacto.
Qual o alcance: Dependendo da altitude da aeronave que a lança, esta arma pode viajar até 24 km.
Como é utilizada: Dos três tamanhos de ogivas disponíveis, a versão de 226 kg é a mais utilizada. Projetada para funcionar em todos os tipos de clima e custar cerca de metade do preço das bombas guiadas a laser, a Joint Direct Attack Munition tornou-se a ferramenta preferida do Pentágono para ataques aéreos durante as guerras pós-11 de setembro. Essas bombas caem a cerca de 9,1 km de seus alvos com aproximadamente 90 kg de explosivos.
Quem a fabrica: Paligen Technologies e Boeing.
Quanto custa: a ogiva custa cerca de US$ 1.000 (R$ 5,1 mil) e o kit de orientação custa cerca de US$ 38 mil (R$ 195 mil).
Quantas os EUA têm: provavelmente centenas de milhares.
Irã
Os comandantes locais estão revidando com mísseis e drones em toda a região. Eles não têm mais muitas defesas aéreas nem uma força aérea. Suas principais armas ofensivas são mísseis balísticos de médio alcance, como o Shahab-3.
Shahab-3
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O que faz: É lançado do solo e voa até 402 km acima da superfície da Terra, onde há menos resistência aerodinâmica. Em seguida, desce em arco e cai em direção ao seu alvo.
Qual é o seu alcance: Mais de 1900 km.
Como é utilizado: Esses mísseis têm como alvo cidades em Israel e infraestruturas em todo o Golfo — refinarias, radares de defesa aérea e edifícios militares. Acredita-se que o Shahab-3 tenha uma precisão de aproximadamente 45 m e transporte uma ogiva de 680 kg.
Quem o fabrica: Organização de Indústrias Aeronáuticas do Irã. É baseado no míssil Nodong da Coreia do Norte.
Quanto custa: Desconhecido.
Quantos o Irã possui: Desconhecido, mas agências de inteligência dos EUA afirmam que o arsenal de mísseis balísticos de médio alcance do Irã é “substancial”.
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Para evitar as contramedidas que interceptam e destroem seus mísseis, os iranianos também utilizam drones. O principal deles é o Shahed-136.
Shahed-136
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O que faz: É essencialmente um míssil de cruzeiro rudimentar, movido a hélice.
Qual é o seu alcance: Até 680 kg.
Como é utilizado: O Shahed-136 é lento (cerca de 115 milhas por hora), mas voa a baixa altitude, tornando-o difícil de ser detectado pelo radar. O drone utiliza GPS para localizar seu alvo, e a ogiva de 40,8 kg explode com o impacto.
Quem o fabrica: Iran Aircraft Manufacturing Company.
Quanto custa: US$ 35.000 (R$ 180 mil), segundo analistas.
Quantos o Irã possui: Provavelmente milhares.
Depois que um míssil Tomahawk destruiu uma escola para meninas no sul do Irã e matou dezenas de alunas, o presidente Trump disse que a arma poderia ser do Irã. Mas apenas alguns países possuem o Tomahawk, e a República Islâmica não é conhecida por ser um deles.
Países do Golfo Pérsico e Israel
Esses países estão na mira dos ataques retaliatórios do Irã, então têm trabalhado para derrubar drones — a tecnologia para isso está evoluindo rapidamente — e mísseis. Sua ferramenta mais confiável é o sistema Patriot.
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Sistema Patriot
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O que faz e como funciona: Uma bateria Patriot consiste em uma van de controle e um ou mais lançadores de mísseis e radares. Quando o radar detecta uma ameaça, os soldados decidem se devem disparar ou não, com base na direção em que ela se dirige.
Contra o que defende: O Patriot pode abater aviões, helicópteros e mísseis até uma altitude de 24 km. Existem três mísseis Patriot diferentes para diferentes tipos de alvos. (Não se utiliza a mesma arma para atingir uma aeronave que voa lentamente e um míssil balístico que se move a cinco vezes a velocidade do som.)
Como é utilizado: Os Patriots criam uma bolha de proteção — com um raio de até 160 km em qualquer direção — em torno de locais de alto valor, como prédios governamentais, instalações militares e usinas de energia.
Quem o fabrica: Raytheon.
Quanto custa: US$ 2 milhões (R$ 10 milhões) a US$ 4 milhões (R$ 20 milhões) por míssil.
Quem os possui: Na região do Oriente Médio, Bahrein, Israel, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
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Para se defender dos ataques do Hamas e do Irã, Israel desenvolveu a rede de defesa aérea mais robusta do Oriente Médio — grande parte dela projetada e fabricada internamente. O Pentágono chegou a comprar um sistema israelense, chamado Iron Dome, para seu próprio uso.
